"Esse garoto fugiu de um hospício, só pode!", pensou Serena.
Mas ele era tão branquinho e delicado, vestindo um terno rosa, que parecia um idol de boy band, definitivamente o mais bonito do grupo. Seu sorriso era incrivelmente doce, e sua voz, suave, mas...
— Garoto, venha cá. A tia vai te dar um presente.
O rapaz piscou, com uma expressão inocente e adorável. — Já vai me dar um presente no nosso primeiro encontro?
— É que você é tão cativante — disse Serena, sorrindo.
O rapaz, aparentemente ingênuo, deslizou com seu skate em direção a Serena.
No instante seguinte, ele soltou um grito de dor.
— Ai, que dor!
Serena puxava a orelha do rapaz, rangendo os dentes. — É muita falta de educação abordar uma desconhecida, especialmente alguém mais velha, e dizer na cara dela que ela vai se dar mal!
— Mulher violenta! Me solta! Aai, está doendo muito!
— Me chame de "senhora"!
— ...
— Rápido!
— Senhora... — A voz saiu embargada de mágoa.
Serena bufou e finalmente o soltou. Mas antes de soltar, aproveitou para passar a mão no rosto dele, era macio e liso como pele de bebê.
— Garoto, onde você faz tratamento de pele?
O rapaz, segurando a orelha, parecia irritado e ofendido. — Eu nasci lindo, nem adianta tentar!
— Está pedindo para apanhar de novo, é?
O rapaz recuou um passo. — Humpt, e eu ainda estava com pena de você. Acontece que os maus se merecem. Vocês são a combinação perfeita!
Serena ficou confusa. — O que você quer dizer?
O rapaz a fuzilou com o olhar, mas então se lembrou de algo e bateu na testa.
— Vim aqui por um assunto sério!


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