— Mestre, eu sempre o respeitei, mas o que o senhor está dizendo é um pouco demais. — Vagner franziu a testa.
Nicolas suspirou longamente. — Ofélia gosta do Felipe desde criança, todos nós sabemos disso. Mas esses dois, não sei por que, nunca conseguem ficar juntos. Agora que Felipe vai se casar, Ofélia ouviu a notícia e voltou correndo do exterior. Mas, como você disse, Felipe já está casado com outra mulher. Ela não consegue aceitar e se trancou no quarto, chorando por dias.
— Ofélia é minha neta mais querida. Tudo o que ela sempre quis, eu dei um jeito de conseguir. Por isso, desta vez, engoli meu orgulho e vim até aqui. Você precisa me fazer esse favor, mestre.
— Mestre...
— Você precisa entender seu mestre. Quando Ofélia chora, meu coração dói mais que o dela.
Vagner se levantou e fez uma reverência a Nicolas.
— Anos atrás, quando eu não tinha para onde ir, o senhor me acolheu, me deu um emprego e me ensinou tudo o que sabia. Sou eternamente grato por isso. Se fosse qualquer outro assunto, eu atenderia seu pedido sem hesitar, mas neste caso... Deixando de lado se Felipe concordaria ou não, em primeiro lugar, seria injusto com a minha nora.
— Não me importo com os outros.
— Ela não é "outra pessoa". Ela já é da nossa família. O senhor ama a Ofélia, e nós amamos a nossa nora.
— Humpf, gostaria de saber o que ela tem de tão especial para te deixar tão satisfeito!
Não querendo deixar Vagner em uma situação difícil, Serena bateu na porta e entrou.
— Raissa me disse que o senhor estava com uma visita, então vim cumprimentar. Mas acabei ouvindo uma grande piada.
Uma grande piada?
O rosto de Nicolas se fechou instantaneamente enquanto ele olhava para Serena.
— Onde estão seus modos?
— Eu vim justamente por educação, para cumprimentar. Mas não esperava encontrar um... velho sem educação.
— Como ousa falar comigo assim? Saia daqui!
— Esta é a minha casa.
Nicolas se levantou de um salto. — Muito bem, muito bem! Estão me expulsando, é isso? Vagner, parece que eu estava cego esse tempo todo, criando um ingrato!
— Mestre, suas palavras me deixam profundamente envergonhado. — Embora Vagner dissesse isso, ele já estava na porta, em uma clara postura de quem acompanha uma visita à saída.
Nicolas olhou para Serena com uma expressão fria, sem intenção de aceitar o chá.
— Se, por minha causa, a relação entre o senhor e meu sogro for abalada, eu me tornarei a culpada.
A xícara de chá era uma saída honrosa que ela oferecia a Nicolas. Ela imaginava que, como presidente do Grupo Branco, ele não gostaria de criar um conflito irreconciliável com a Sol Dourado e o Grupo Glória.
E, naturalmente, Vagner também não queria ofender o mestre que lhe ensinou tudo o que sabia, então ela precisava apaziguar a situação.
Nicolas bufou mais uma vez, mas finalmente aceitou a xícara de chá.
— Já que você ouviu o que eu disse antes, então você...
— Vou fingir que não ouvi nada — Serena sorriu. — Afinal, meu sogro está muito satisfeito comigo, e meu marido me ama muito. Mesmo que eu pedisse o divórcio, eles não concordariam.
— De jeito nenhum! — Vagner imediatamente a apoiou.
Nicolas ficou sem palavras, seu rosto escurecendo cada vez mais.

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