— Serena, vá à delegacia e diga que foi um mal-entendido. Peça para soltarem o Xavier.
Veja só, esse era o objetivo dela.
Um arrependimento com segundas intenções jamais poderia ser sincero.
Serena se inclinou e sorriu levemente.
— Se eu for à delegacia e salvar o Xavier, o que eu ganho com isso?
— Nós... nós voltaremos a ser boas amigas!
Serena caiu na gargalhada.
— Esse "benefício" eu dispenso. De uma amiga peçonhenta como você, quero manter a maior distância possível.
O rosto de Ângela ficou vermelho.
— Então... o que você quer em troca? Eu te dou qualquer coisa!
— Ah, é? E o que você tem?
— Eu...
— Você, que não tem onde cair morta, me pergunta o que eu quero de você? Isso por si só já é uma piada! E sem nenhum benefício, por que eu deveria ajudar vocês? Pela nossa antiga amizade? Nós ainda temos alguma? Se tínhamos, já se transformou em ódio! Portanto, não tenho motivo algum para salvá-lo!
Dito isso, Serena zombou e se preparou para voltar ao carro.
— Se... se você não salvar o Xavier, eu e meu filho vamos morrer na sua frente!
Ângela de repente tirou uma faca de frutas da bolsa e a encostou no próprio pescoço. Sua expressão era de pura determinação, como se estivesse ameaçando Serena: se ela ousasse entrar no carro e partir, ela se mataria ali mesmo.
Serena apenas esboçou um sorriso, abriu a porta do carro, sentou-se e deu a partida.
Mas, mal tinha começado a se mover, Wilma Rios Marques surgiu do nada e se jogou na frente do carro.
Serena freou bruscamente, e um sorriso de triunfo brilhou no rosto de Wilma.
Ao chegar na Sol Dourado, sua primeira tarefa era acompanhar o projeto com o Grupo Glória. Este projeto era crucial para a Sol Dourado e não admitia o menor erro.
À tarde, a Sol Dourado iria ao Grupo Glória para apresentar um relatório sobre o andamento da obra. Após conversar com Cláudio Elvas, Serena decidiu ir também.
Na sala de reuniões, a equipe da Sol Dourado apresentava em um PowerPoint o progresso de seu shopping, que estava alinhado ao desenvolvimento da rua comercial, sem atrasos.
Serena olhou para o outro lado da mesa, onde estavam os principais responsáveis pelo projeto da rua comercial, um sinal de que levavam a sério a parceria com a Sol Dourado.
A reunião transcorreu sem problemas até os últimos minutos, quando a porta dos fundos se abriu e algumas pessoas entraram.
A mulher que liderava o grupo aparentava ter cerca de cinquenta anos, vestia um tailleur preto profissional e tinha os cabelos presos em um coque, conferindo-lhe um ar competente e elegante. Sua maquiagem era discreta, mas não conseguia esconder um rosto de beleza estonteante. No entanto, sua expressão era séria e sua aura, fria, o que a tornava intimidante.
Era a Sra. Costa, a matriarca do Grupo Glória. Serena já a tinha visto antes, mas nunca haviam conversado.
Por que ela apareceu de repente?
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