Vendo Felipe e a Sra. Costa saírem do carro, ela também desceu apressadamente.
— Felipe, acho que aconteceu alguma coisa com o Alfredo! — disse ela, correndo até ele, a voz carregada de urgência.
Felipe franziu o cenho.
— Ele aprontou de novo?
— Ele desapareceu!
— Desapareceu?
— Faz uma semana que ele não vai à universidade e não volta para casa. O celular dele está desligado. E tem isto.
Ela entregou a Felipe o bilhete que encontrou no quarto de Alfredo. Cada palavra transbordava tristeza e desespero.
Felipe leu e sua expressão se tornou imediatamente séria.
Ele pegou o celular e rastreou a localização de Alfredo, descobrindo que ele estava em uma montanha selvagem nos arredores da cidade.
O que ele estaria fazendo em uma montanha, ainda mais uma desabitada?
Juntando isso às palavras que ele deixou, sobre flores e grama crescendo de sua carne em decomposição... será que...
Até mesmo o rosto sempre controlado de Felipe mostrava um traço de preocupação.
— Vamos para lá agora!
Ele estava prestes a entrar no carro de Serena quando a Sra. Costa o chamou.
— Felipe, você não vai a lugar nenhum! Prometemos à Vivian que a levaríamos ao Monte das Nuvens para ver as folhas de outono hoje. Promessa é dívida, senão a Vivian vai ficar triste!
Enquanto falava de Vivian, seus olhos brilhavam de amor, mas Vivian era apenas uma imagem de IA no laptop que ela segurava. Alfredo, por outro lado, era uma pessoa real, seu filho de carne e osso, e a possibilidade de algo ter acontecido a ele não lhe arrancou uma única palavra de preocupação.
Felipe, temendo irritar a Sra. Costa, disse apenas que iriam outro dia.
— Não! — A Sra. Costa de repente ficou agitada. — A Vivian quer ir hoje, então temos que ir hoje. Você...
— O Alfredo está em perigo! — Felipe não conseguiu se conter e gritou para a mãe.
— Como você pode dizer isso? Você não é digno de ser o irmão da Vivian! Se não fosse por você, que não a encontrou e não a salvou a tempo, ela não teria morrido!
Felipe parou abruptamente. Aquelas palavras o atingiram como uma rede pesada, imobilizando-o.
Ele nem mesmo tentou lutar, apenas ficou ali, aprisionado.
Serena cerrou os dentes, puxou-o com força para libertá-lo e o empurrou para dentro do carro.
— A morte da Vivian não foi sua culpa. Mas se você não salvar o Alfredo, aí sim você terá responsabilidade! Porque durante todos esses anos, você também o ignorou. Mesmo sabendo que a Sra. Costa o maltratava, você não o protegeu!
— Você não é só o irmão da Vivian. Você também é o irmão do Alfredo!
As palavras de Serena foram duras, mas naquele momento, ela sentia uma profunda injustiça por Alfredo.
Um rapaz tão bom, que se esforçava para ser gentil, para ser alegre, para agradar a família, e mesmo assim, ninguém se importava com ele...
O carro partiu. Depois do choque inicial de culpa e remorso, Felipe rapidamente se acalmou e começou a usar seus contatos, mobilizando uma rede de busca por Alfredo.

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