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Feliz Aniversário, Meu Amor de Mentira romance Capítulo 682

Assim que Serena saiu com a louça, Felipe ligou para ela.

— Onde você está?

Serena apertou os lábios. Imaginou que Felipe já soubesse que ela tinha acompanhado a Sra. Costa para procurar Alfredo, então não escondeu nada e contou tudo a ele.

— Você acha que isso tem graça? Você sabe muito bem que o Alfredo...

— Então quer que eu diga diretamente para sua mãe o que aconteceu com o Alfredo? Ou que a deixe sozinha à própria sorte? — retrucou Serena, um pouco irritada.

Do outro lado da linha, ouvia-se apenas a respiração pesada de Felipe.

Sempre que o assunto era Alfredo, nenhum dos dois conseguia manter a calma. Mesmo seis anos depois, a ferida no peito continuava sangrando.

— Vou encontrar vocês.

— Não venha.

— Serena, isso é um assunto da minha família, com que direito você se intromete?

— Você só fica feliz se me ferir com palavras, é isso?

— ...

— Se houver alguma situação que eu não consiga resolver, eu te ligo. Até lá, fique tranquilo em casa cuidando das crianças.

Ela não queria que Felipe fosse. Parecia que o tempo o estava afastando da dor trazida pela morte de Alfredo, mas bastaria ele aparecer para que esses seis anos fossem em vão. As feridas que cicatrizavam, as emoções que se desvaneciam, o arrependimento incurável... tudo voltaria ao ponto de partida.

O ponto de partida da dor, do dilaceramento e do desespero.

Para vigiar a Sra. Costa, Serena dormiu no mesmo quarto que ela à noite. Quando Serena se deitou, a Sra. Costa ainda estava na janela observando.

A chuva lá fora estava cada vez mais forte, quase não se via a rua lá embaixo.

— Ele não vai correr para a rua debaixo de chuva — tentou convencer Serena. — É melhor a senhora dormir bem para ter energia para procurá-lo amanhã.

A Sra. Costa olhou mais um pouco e, desapontada, deitou-se na cama.

— Está muito frio esta noite, não sei se ele...

— É verdade, é verdade, e ainda nem lavei o rosto. Tenho que me arrumar bem para vê-lo, senão ele não vai me reconhecer. — A Sra. Costa correu para lavar o rosto, emocionada.

Rapidamente, guiadas pelo dono da loja, encontraram o restaurante e avistaram de longe o jovem esfarrapado. Ele estava sob uma grande acácia do lado de fora do restaurante, com uma tigela imunda à sua frente, ajoelhado comendo.

Duas crianças passaram brincando e, ao vê-lo, gritaram "Sorte" e disseram que ele era um cachorro aleijado.

Diante dessa cena, a Sra. Costa sentiu um misto de raiva e dor no coração e correu até lá.

— Alfredo? Alfredo, é você?

Ela se curvou, tentando ver o rosto daquele homem.

Mas o homem estava visivelmente faminto; comia com voracidade e não dava a mínima para quem estava ao lado.

O dono da loja viu aquilo e chutou a tigela para o lado. O homem então levantou a cabeça, arregalando os olhos e mostrando os dentes para o dono da loja, expressando sua raiva.

Ao levantar a cabeça, a Sra. Costa pôde ver seu rosto. E, graças à chuva do dia anterior, aquele rosto estava bem mais limpo do que o normal, com os traços nítidos.

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