Serena ficou presa no Grupo Glória até depois das dez da noite, tentando organizar um pouco as ideias. Não era de se admirar que a empresa estivesse sempre no vermelho; seus produtos estavam estagnados na fase de pesquisa e desenvolvimento, sem lançamento em grande escala no mercado. No entanto, a tecnologia já estava madura. O feedback dos clientes sobre os primeiros lotes de teste foi excelente, e o próximo passo seria a produção em massa.
Justo nesse momento, o grupo familiar queria se livrar da empresa. Felipe, claro, não se conformou. Ele gastou todas as suas economias para comprá-la e depois a repassou para ela por um real.
Nessa história toda, quem perdeu foi apenas Felipe, e quem ganhou foi ela.
— Meu cunhado realmente não vai mais cuidar do Grupo Glória?
Robson Anjos ficou fazendo companhia a ela durante a hora extra, e foi através dele que ela entendeu a situação da empresa.
— Não vai. — Serena organizou os documentos e arquivos em suas mãos. — Ele vai voltar, mas precisa de um descanso. Durante esse tempo, eu vou substituí-lo.
Mas, se ele pensa que vai viver uma vida mansa como a do Rogério, está muito enganado.
Meio mês depois, Serena já estava praticamente ambientada e havia convocado uma reunião com todos os departamentos, definindo as metas de trabalho para o próximo semestre. Com a empresa entrando nos trilhos, era hora de ela acertar as contas com Felipe.
Naquele dia, após a escola, ela pegou as duas crianças e, sabendo por Elvis onde Felipe estava vadiando, foi até lá com os filhos.
Era a mesma boate, o mesmo camarote e os mesmos homens de sempre.
Elvis, Fabrício, Bryan e Felipe bebiam de forma melancólica.
— Felipe, de tanto te acompanhar nesses dias, já estou purificado, quase um santo. — Elvis bebia achando que a vida não tinha mais graça. — Que tal procurarmos uma igreja e virarmos padres por uns dias?
Fabrício acompanhava menos, mas era do tipo que, se saísse para se divertir e não procurasse mulheres, não via graça nenhuma.
— Que tal eu chamar algumas para cá?
Felipe bufou, e Fabrício torceu a boca:
— Continuemos brincando de ser padres, então.

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