Depois de se despedir da dona da casa, Serena percebeu que tanto Felipe quanto Adolfo a encaravam com indignação.
Serena deu um riso sem graça. — Em cidades pequenas é assim mesmo. O pessoal adora uma fofoca, e quanto mais absurda, melhor. Às vezes, para deixar a história mais interessante, eles acabam inventando uns detalhes a mais.
— E por que você não desmentiu? — Felipe estreitou os olhos.
Ele havia sido tachado de marido infiel!
— Desmentir fofoca não rende assunto, então não adianta nada.
— Você devia ter deixado a história a limpo com aquela senhora agora há pouco! — Adolfo também cerrou os olhos.
— Aquela senhora... cof, cof, gosta de ir a fundo nas coisas. Se eu desse trela, ela ia virar a nossa vida de pernas para o ar.
O mais importante era que a dona da casa era uma das maiores fontes de invenção da vizinhança. Qualquer coisa que ela ouvisse, com certeza ganharia uma versão muito mais elaborada e sairia da boca dela como uma história completamente diferente.
Ao chegar a esse ponto, Serena olhou para os lados.
— Cadê o Gabriel?
Felipe olhou para o carro estacionado lá fora. — Ele estava no carro agora mesmo.
No entanto, a porta do veículo estava aberta e não havia mais ninguém lá dentro.
Serena suspirou, resignada. — Com certeza já foi atrás dos amiguinhos para brincar.
Enquanto Felipe acomodava as bagagens que trouxeram, Serena levou Adolfo para o quarto das crianças, no andar de cima. Era um cômodo onde predominava o tom azul, espaçoso e muito iluminado. Havia também uma grande varanda de onde se via a montanha e o riacho em frente, além das montanhas mais próximas nas laterais, salpicadas de flores silvestres.
Não era apenas a vista que encantava; o design do quarto também fora feito com muito cuidado. Havia uma cama grande voltada para a varanda, uma escrivaninha de formato singular e uma enorme estante repleta de livros.
Desde o momento em que entrou no cômodo, os olhos de Adolfo brilhavam. Principalmente ao ver aquela estante abarrotada de livros variados; ele soltou uma exclamação de pura surpresa.
— Mamãe, este quarto é...

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