Apolo
Confiar no meu tio era como confiar na luz do luar para me guiar na escuridão. Quando recebi seu link duas noites atrás, pedindo ajuda para um ômega e sua filha recém-nascida, soube que a situação era delicada. Meu tio era um Beta de coração justo, marcado por tragédias, mas leal e honrado. Se ele confiava nesse homem, eu também confiaria.
— Mason, precisamos ir o quanto antes. Quanto mais rápido começarmos, mais cedo chegaremos à Midnight. —
O ômega parecia hesitante. Suas palavras carregavam um peso que eu não esperava.
— Minha companheira era filha de alguém poderoso. Fugimos para viver juntos, mas depois que nossa filha nasceu, ela nos abandonou. — Seus olhos brilhavam de dor enquanto olhava para a bebê, que dormia na cama.
Cheguei mais perto. Algo na criança capturou meu coração instantaneamente. Peguei-a nos braços. Tão pequenina, com olhos azuis profundos como safiras, e um cheiro doce, uma mistura intrigante de morango e melancia. Quando ela sorriu para mim, senti algo que nunca havia sentido antes.
— Ela é linda. Parabéns. — Disse sinceramente, mas Mason, com um olhar sombrio, respondeu:
— Ela é como a mãe... —
Coloquei a pequena de volta na cama, sentindo uma determinação crescer dentro de mim. Precisávamos partir. Olhei para Mason, que parecia nervoso com a ideia.
— Atlas já deve saber que estou aqui. —
— Qual o problema com ele? —
— Ambição desmedida. Ele tem tentado roubar minhas terras desde que assumi após a morte do meu pai. —
O medo de Mason era evidente. Tentei tranquilizá-lo.
— Estamos protegidos. Meus homens estão prontos. Pegue suas coisas, acertamos sua conta e saímos daqui. —
Descemos rapidamente para a recepção. Tudo parecia correr bem até que a velha dona da pousada fixou seus olhos em mim.
— Alfa? —
Ela havia percebido. Sorri, tentando dissipar qualquer suspeita.
— Prazer, Alfa Apolo, da Midnight. Obrigado por cuidar do meu primo e da bebê. —
A velha retribuiu o sorriso, mas havia algo de estranho em seu olhar. Saímos apressados, mas não antes de sentir o peso de que algo não estava certo.
Enquanto caminhávamos em direção ao carro, o ar mudou. Atlas estava ali.
— Apolo, que surpresa inesperada. —
Mantive meu tom firme.
— Peço desculpas por não avisar. Meu primo precisava de ajuda com a bebê, e este foi o caminho mais seguro. —
— Digo o mesmo a vocês, são acusações sérias, espero que a Senhora tenha provas do que está dizendo. —
— Angel, você precisa dizer a verdade, nunca a toquei! Não fui nada além de respeitoso, por favor, preciso que diga a verdade para que eu siga meu caminho com minha filha e meu Alfa! —
A pressão aumentava. Mason, desesperado, implorava para que a menina contasse a verdade. Seus olhos, cheios de lágrimas, finalmente se ergueram.
— Ele, ele... — Ela abaixou os olhos novamente. Vi ali uma brecha.
— Angel, você pode dizer a verdade, seja ela qual for, e prometo que terá um lugar para você em Midnight. —
A menina levantou os olhos, encontrou o olhar severo de Atlas e, com as mãos trêmulas, finalmente sussurrou:
— Ele não fez nada. Minha mãe me mandou mentir. —
O alívio foi como uma onda que me invadiu, mas mal tive tempo de respirar antes que Atlas, tomado pela fúria, avançasse. O tempo parecia desacelerar, e eu soube, então, que a luta estava longe de terminar. Ele brandiu o punhal de prata, seus olhos queimando de raiva.
Mason, sem pensar, se atirou à frente da menina. O som abafado do aço penetrando sua carne foi como um trovão no silêncio da noite. Ele caiu, a expressão de dor misturada com a de determinação. Seus olhos se encontraram com os meus, e por um momento, a urgência do que estava acontecendo se desfez.
— Mason! — Corri até ele, segurando-o enquanto seus olhos buscavam os meus.
— Cuide de Isabella. Por favor. —

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