Gilson ergueu uma sobrancelha e perguntou, como quem não quer nada:
— Aconteceu algum problema em casa?
Com a dificuldade resolvida, a preocupação no rosto de Crystal havia desaparecido.
— Meu irmão estava doente, mas agora ele está bem, então vou precisar de menos licenças. Não posso garantir que nunca mais vou precisar, mas farei o possível para evitar.
— Que doença? Seu irmão ainda está no hospital?
Agora que a doença do irmão estava curada, ela respondia às perguntas com mais leveza:
— Leucemia. O transplante de medula no sábado passado foi um sucesso.
Ela sorriu.
— Eu achava que a doença do meu irmão seria muito difícil de tratar, mas encontrei uma pessoa de bom coração disposta a doar a medula. Até agora, sinto que tive muita sorte.
— Sou muito grata a essa pessoa.
Gilson baixou o olhar e sorriu, sua voz muito suave.
— Sim, você merece toda a sorte do mundo.
— Hã? Diretor Franco, o que o senhor disse? Não ouvi direito.
— Nada. Eu disse parabéns. Não sabia que sua família estava passando por algo tão sério. Se não se importar, gostaria de visitar seu irmão amanhã depois do trabalho, pode ser?
Ao ouvir isso, a boca de Crystal se abriu de surpresa, o suficiente para caber um ovo.
— O quê? Diretor Franco, não, não precisa! O senhor é tão ocupado, não quero incomodá-lo.
— Não é incômodo. É perfeitamente normal um chefe visitar um familiar de seu funcionário. Amanhã, depois do expediente, vá direto para o estacionamento subterrâneo e pegue meu carro. Iremos juntos.
Gilson falou com um tom que não admitia recusa.
Crystal franziu os lábios. Vendo sua insistência, não pôde mais recusar; seria deselegante.
— Tudo bem, então. Obrigada, Diretor Franco.
-
Quando Gilson apareceu no quarto de Fábio com uma cesta de flores, Lílian ficou impressionada com o homem de aparência distinta à sua frente.
— Crystal, este é...
Fábio observava o "tio" que aparecera de repente em seu quarto.
Ele parecia bem mais velho que sua irmã.
Na verdade, não era que Gilson parecesse velho, mas sua postura madura e sua presença imponente o faziam parecer um tanto inalcançável.
Aos olhos do inocente Fábio, isso se traduzia em idade avançada.
— Obrigado, Tio Franco, por vir me ver hoje.
Assim que ele terminou de falar, Crystal ficou um pouco tensa.
*Quantos anos Gilson tinha? Trinta e poucos?*
Seu irmão tinha dezessete. Chamá-lo de "tio" não o envelhecia um pouco demais?
Lílian, no entanto, não viu problema no tratamento. Afinal, ele era o chefe. Chamar de "Diretor Franco" era muito formal, e chamá-lo por um termo mais jovem não seria apropriado.
Os olhos de águia de Gilson se estreitaram. Embora sua voz fosse gentil, não deixava espaço para dúvidas.
— Irmãozinho, não diga isso. Acho que não sou tão velho assim. Pode me chamar de irmão.

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Excelente!!...