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Floresci das Cinzas romance Capítulo 263

Depois da aula, Fábio voltou para casa e viu que as compras ainda estavam sobre a mesa e a cozinha estava escura.

Não encontrou a mãe na sala.

Bateu na porta do quarto dela e entrou, vendo-a encolhida na cama, com o corpo curvado.

— Mãe, você não está se sentindo bem?

Lílian estava de costas para o filho, sem coragem de mostrar os olhos inchados de chorar.

— Não é nada. Acho que é um resfriado, tomei um remédio e queria dormir um pouco. Fábio, pode pedir comida para você, por favor?

Fábio assentiu.

— Se não melhorar, vamos ao hospital.

Ele ainda estava preocupado e perguntou:

— Mãe, você já comeu?

— Não se preocupe comigo, Fábio. Coma você.

Fábio saiu do quarto, pegou as compras e foi para a cozinha.

Ele acendeu o fogo, preparou uma canja de galinha e picou um pouco de carne magra e legumes.

Ele era precoce.

Mesmo que tudo em casa dependesse da irmã e da mãe, Fábio sabia se virar.

Não era um filhinho de papai que esperava tudo na mão.

Ele não sabia o que havia acontecido com a mãe, mas não podia simplesmente vê-la daquele jeito sem perguntar ou fazer nada.

Uma hora depois, ele serviu uma tigela de canja e a deixou no quarto da mãe.

— Mãe, eu fiz uma canja de galinha para você. Levante-se para comer um pouco enquanto está quente, para repor as energias, está bem?

Ouvindo as palavras atenciosas do filho, Lílian sentiu os olhos marejarem de novo.

Ela já tinha perdido a conta de quantas vezes chorara naquela tarde.

As lágrimas simplesmente não paravam.

Ela ficava se perguntando se tinha feito a coisa errada.

Lílian enxugou uma lágrima.

— Uhum, obrigada, meu filho. Vá comer. Eu me levanto para comer daqui a pouco.

Fábio notou um soluço na voz da mãe, mas não perguntou mais nada.

Era melhor dar espaço a ela.

Ele comeu, lavou a louça e, deitado em seu quarto, começou a pensar em quem a mãe teria encontrado para voltar com o humor tão para baixo.

Lílian comeu a canja que o filho preparou, com lágrimas nos olhos.

Ao se deitar, teve um sonho longo.

Sonhou que estava grávida, com uma barriga enorme, e Zaqueu Pessoa a acompanhava em todas as consultas pré-natais.

A mulher concordou em contratá-la como babá residente.

Lílian ficou radiante.

Podia cuidar da própria filha e ainda receber um salário alto.

Como não ficar feliz?

Quando Zaqueu soube, ficou um pouco relutante, mas, pensando em sua situação precária, segurou a mão de Lílian e prometeu dar a elas uma vida melhor no futuro.

Zaqueu trabalhava dia e noite dirigindo um caminhão.

Lílian cuidava das duas crianças sozinha.

Ela sabia que sua filha se chamava Grace.

O nome Crystal foi escolhido pela senhora.

O único ato de consciência de Lílian foi permitir que o nome da criança fosse dado por sua mãe biológica.

Ela ainda se preocupava com o que aconteceria quando as crianças crescessem e a senhora percebesse que a filha não se parecia com eles.

Mas então, a senhora adoeceu e morreu.

Isso deixou Lílian triste, mas, ao mesmo tempo, ela não conseguiu conter uma alegria secreta.

O segredo da troca das duas crianças jamais seria descoberto.

Mas Lílian nunca imaginou que, vinte e sete anos depois, o assunto voltaria à tona.

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