O ar frio soprava do sul. No início da manhã, a antiga vila do Distrito das Tulipas estava coberta de névoa e o vento gelado levantava folhas secas que rodopiavam pelas ruas desertas.
Alguns carros luxuosos pretos pararam no portão do condomínio.
Gerson olhou pela janela. Ele havia vindo às pressas e finalmente chegou ao prédio dela, mas de repente sentiu-se aéreo.
— Quando sai o resultado do teste de paternidade?
Naquele carro estavam apenas Vitor e ele.
Vitor estava no banco do motorista e respondeu: — Já conseguimos uma amostra na escola, pedimos urgência, mas no mais rápido sai amanhã à noite.
Amanhã...
Muito lento.
— Não dá pra ser mais rápido?
— Só se fosse amostra de sangue. — Vitor disse. — Amostra de sangue é o mais rápido, mas pode chamar atenção.
— Esquece. — Gerson segurou as emoções dentro do peito. — Elas não vão fugir de qualquer forma, não preciso me apressar agora.
Vitor olhou para o chefe no espelho retrovisor, hesitou um pouco e abriu a boca, testando o terreno: — Chefe, e se for mesmo sua filha, o que o senhor pretende fazer?
Após as palavras, houve um silêncio.
A luz da manhã brilhou, dispersando a névoa um pouco.
Gerson olhou para a janela do prédio ao longe e levou bastante tempo para falar baixo: — Levá-la de volta.
Já que era sua filha.
Claro que ele mesmo a criaria.
Nívea também.
Era só um noivo, não estavam casados no papel.
E, mesmo que estivessem, poderiam se divorciar.
Em suma, agora que a situação chegara a esse ponto, a responsabilidade que cabia a ele devia ser assumida.
Responsabilidade.
— A primeira regra de família que a Família Valente lhe ensinou.
Claro que ele iria cumprir isso muito bem.
— Mas e a senhora Dona Otília...



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