A ligação era do Sr. Carvalho.
O Sr. Carvalho era o cliente mais importante do Grupo Campos em Porto Belo, cujos negócios representavam oitenta por cento de toda a empresa. Ao mesmo tempo, também era de todas as parcerias a que Júlia achava mais fácil de lidar.
Quando ela acabara de chegar a Porto Belo, sem experiência, sem fama e enfrentando o descaso de muitos, em um momento de extrema dificuldade, foi o Sr. Carvalho quem estendeu a mão. Foi graças aos seus investimentos que outras empresas passaram a colaborar aos poucos.
Além disso, durante todo o processo de colaboração, o Sr. Carvalho nunca havia barganhado ou tentado pechinchar; demonstrava franqueza e sinceridade. Podia-se dizer que ele era o padrinho de Júlia, e isso continuava por todos aqueles anos.
Júlia se recompôs rapidamente e atendeu o celular: — Sr. Carvalho, como vai?
— Olá, Srta. Viana.
Era assim que o Sr. Carvalho costumava se dirigir a ela: com educação e humildade, sem nenhuma postura de superioridade por ser o cliente. Embora Júlia já tivesse dito várias vezes que não havia necessidade daquilo, ele insistia.
— Ouvi dizer que você voltou para Nova Alvorada?
— Sim, voltei ontem à noite. — Júlia, temendo que ele estivesse preocupado com o trabalho, explicou: — Sobre o projeto, o senhor não precisa se preocupar, já passei tudo para o Diogo. Qualquer problema, pode falar direto com ele. Mas é claro, também pode falar direto comigo.
— Não é o trabalho. — O Sr. Carvalho esperou que ela terminasse para falar. — Você voltou tão apressada, aconteceu alguma coisa?
— Sim. — Júlia não o escondeu: — A minha mãe está doente.
— É grave? Precisa de alguma ajuda?
Ouvindo isso, os olhos de Júlia ficaram marejados na hora. Aquela foi a primeira vez que alguém se preocupou com ela desde que soube da doença da mãe.
Antes de conseguir responder, logo escutou o Sr. Carvalho falar novamente: — Precisa de dinheiro ou recursos?
— Ainda não. — Júlia disse a verdade.
— Se é assim, que tal a Srta. Viana considerar trabalhar com a nossa empresa?
As palavras do Sr. Carvalho deixaram Júlia sem ação.
A empresa do Sr. Carvalho era a Virtus BioTech, a maior empresa de biotecnologia não apenas do país, mas do mundo, um nível totalmente diferente do Grupo Campos. Será que ela realmente teria essa oportunidade? Sem os recursos do Grupo Campos, ela ainda teria chance de estar em contato com a Virtus BioTech?
Júlia achou que ele não a havia entendido bem, então repetiu: — Sr. Carvalho, talvez eu não tenha me expressado bem; eu não estarei mais no Grupo Campos no futuro, e todos os recursos que têm a ver com a empresa eu não usarei mais.
— Eu sei. O que mais nos interessa não é o Grupo Campos, e sim a senhorita — o Sr. Carvalho disse a ela. — Não precisa me dar uma resposta logo, pode pensar com calma.

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