Apenas naquele momento Marina entendeu por que, durante todo o tempo em que estivera doente, Lucas Campos nunca a visitara nenhuma vez. Ela havia perguntado várias vezes a Júlia sobre ele, mas nunca recebera uma resposta clara.
Afinal, não era que Júlia estivesse escondendo de propósito, nem que não quisesse lhe contar; era simplesmente porque não havia nada que ela pudesse fazer.
Ela não ousava imaginar o quanto Júlia havia suportado.
A personalidade da filha sempre fora assim: suportava tudo em silêncio e nunca queria incomodar os outros. Quando Marina a trouxera para casa pela primeira vez, Júlia ainda não tinha nem um ano, mas já dava para perceber os primeiros sinais.
Quando tinha fome, nunca chorava, apenas ficava olhando com aqueles olhos grandes. À noite, não dava trabalho, permitindo que Marina dormisse a noite toda. Mesmo quando acordava muito cedo, não atrapalhava os adultos, brincando quietinha sozinha.
Depois que começou a escola, tornou-se ainda mais obediente. Nunca lhe deu preocupações com os estudos. Se encontrasse problemas, resolvia sozinha, e a menos que fosse absolutamente necessário, jamais incomodaria Marina.
E uma filha tão sensata e boazinha tinha que passar por tudo aquilo... Marina não conseguiu evitar as lágrimas.
Ela pegou o celular e, fingindo que nada havia acontecido, enviou uma mensagem no WhatsApp para Júlia, como de costume: [Já jantou?]
Logo, recebeu uma foto do jantar enviada por Júlia, que então perguntou o que ela havia comido e como estava se sentindo hoje.
Marina respondeu a tudo e, no final, sugeriu que, quando Júlia tivesse tempo, as duas saíssem para passear; afinal, já fazia um tempão que não saíam juntas.
Júlia não concordou de imediato, dizendo apenas que dependeria das condições de saúde dela na hora e das recomendações do médico.

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