Júlia perguntou onde ela gostaria de ir, e Marina respondeu que qualquer lugar estaria bom, que ela podia escolher. O local em si não importava para ela, seu único desejo era ir para algum lugar onde pudesse fazer a filha mudar um pouco de ares.
Quanto a Júlia, ela também não possuía nenhum lugar que quisesse ir. Ela queria apenas satisfazer a mãe e deixá-la contente.
Refletindo por um tempo, ela conseguiu pensar no lugar ideal. Iriam para uma loja de artigos de luxo. Não seria muito aglomerado e, acima de tudo, ela queria comprar algumas roupas para Marina.
Visto que o ano-novo estava chegando, assim como sua mãe costumava fazer por ela quando era pequena, Júlia daria a ela roupas e presentes novos para deixá-la muito feliz.
No caminho, Júlia não revelou o destino e Marina também não perguntou. Ela apenas conversava o tempo todo com Júlia. Uma hora sobre o significado do matrimônio, em outro momento sobre a definição de felicidade, chegando até mesmo aos objetivos da vida, o que acabou deixando Júlia um pouco confusa.
Além disso, frequentemente observava as reações de Júlia e só prosseguia com a fala após verificar que ela não demonstrava nenhum tipo de alteração emocional drástica.
Júlia achava que ela estava muito estranha naquele dia, mas, como já haviam chegado ao destino, optou por não perguntar mais nada.
Logo após saírem do carro, ao perceber que se tratava de uma loja de artigos de luxo, a vontade de Marina de entrar se dissipou instantaneamente: — Júlia, por que me trouxe para esse tipo de lugar? Ouvi dizer que os produtos desta marca são caríssimos; só uma peça de roupa equivale ao que pessoas comuns como nós ganham em um ano. É melhor irmos embora.
— Tudo bem. Não é todo dia que a gente vem, é só uma vez de vez em quando. — Júlia agarrou a mão dela para não deixá-la escapar. — O ano-novo não está chegando? Vai ser o seu presente. Desejo à minha mamãe um feliz ano-novo e muita saúde.
No mesmo instante, Marina sentiu um nó na garganta. Sem dúvidas, qualquer pai ficaria comovido ao ouvir o filho dizer aquilo. Mas ela desviou o olhar para o casaco que Júlia estava usando, que era aquele mesmo que ela havia comprado há três anos quando saiu de Nova Alvorada. — Esqueça, melhor comprar para você. A mamãe está velha, não precisa usar roupas muito bonitas. Compre uma para você, vai ser muito útil no trabalho mais tarde.
— Desta vez, primeiro compro para você, da próxima, compro para mim. Que tal?



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