— Qual foi o bueiro que deixaram aberto para essa praga sair e arruinar a vida dos outros? Que ele passe o resto da vida estéril, mas que a mulher dele tenha filhos logo e encha a casa de netos!
Ela esbravejou, xingando até não poder mais.
Clara a puxou para sentar no sofá e serviu-lhe um copo d'água.
Tatiana bebeu tudo de um gole só. Ao ver a expressão exausta de Clara e as olheiras escuras sob seus olhos, finalmente calou-se e tirou um maço de fotos da bolsa.
— Clara...
— Está tudo bem. O que você descobriu? Deixe-me ver.
Clara, pelo contrário, deu um sorriso fraco e pegou as fotos das mãos dela.
Mesmo estando psicologicamente preparada, ver aquelas imagens íntimas fez sua respiração falhar.
Descobriu-se que Samuel havia instalado Sara na Mansão Nuvem Perfumada, bem perto da empresa.
Ele acompanhava Sara abertamente nas compras, e os dois voltavam para casa de mãos dadas.
Sob a luz do entardecer, as pernas de Sara estavam entrelaçadas na cintura de Samuel, os dois entrando na mansão aos tropeços, em uma postura indecorosa.
Algumas das bolsas de grife que Sara ostentava em sua conta secundária nas redes sociais eram, inclusive, idênticas às que Samuel havia dado a Clara.
Na postagem mais recente de Sara no Instagram, a mulher exibia uma pulseira de diamantes no pulso, com os dedos repousando sobre o peito de um homem. A legenda dizia:
[O amor dele está escondido nos diamantes; o coração dele está ao alcance das minhas mãos.]
Os nós dos dedos de Clara ficaram brancos; seus olhos ardiam.
Não era mais apego. Era apenas a dor de um coração ferido que ainda sangrava, incapaz de cicatrizar, e uma pena profunda da sua própria versão do passado, que havia se entregado à pessoa errada.
Ser cega de amor, pelo visto, trazia o seu próprio carma.
Tatiana arrancou as fotos das mãos dela, com o olhar cheio de pena.
— Ainda bem que você não transou com ele, senão ainda teria que ir ao ginecologista. E mesmo que os exames não dessem nada, você sentiria nojo para o resto da vida.
Clara tentou achar graça na desgraça:
— É, parece que eu ainda tenho um pingo de sorte.
Ela se levantou, subiu as escadas e, momentos depois, desceu arrastando duas grandes sacolas, que jogou aos pés de Tatiana.
— Venda tudo para mim. Com o dinheiro, escolha alguns estudantes do ensino médio e universitários que sejam pobres e esforçados, e financie os estudos deles.
Aqueles eram os presentes que Samuel havia dado a Clara ao longo dos últimos anos.
Roupas, bolsas, perfumes, relógios, joias. Ao arrumar tudo, Clara percebeu que eram apenas coisas que se comprava facilmente com dinheiro, sem o menor pingo de sentimento real.
Antes, aquelas eram as coisas mais preciosas para Clara, mas agora, ela não queria nem mesmo o cafajeste.
Por que guardar os presentes dele?
Para sair na rua e usar roupas iguais às das amantes dele?
Tatiana e Clara cresceram no mesmo orfanato, e agora ela e mais dois amigos tinham aberto uma agência.


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