Noémia virou-se bruscamente, seu olhar afiado varrendo a porta.
— O que aconteceu? Eu não mandei você ficar de olho nele? Para onde uma criança tão pequena poderia ir?
O guarda-costas de preto enxugou o suor da testa, com uma expressão de desamparo.
Aquele garoto era pequeno, sim, mas era um pestinha.
Quem ali nunca tinha sido alvo de suas travessuras?
— Eu não saí de perto dele. Quem diria que, no tempo de escanear o código e pagar no café, ele simplesmente desapareceria.
Enquanto falava, ele estava quase chorando.
Não tinha jeito, o salário que Noémia lhe pagava para cuidar da criança era alto.
Se perdesse este emprego, ele não saberia onde encontrar outro igual.
Noémia provavelmente sabia o quão problemático era aquele garoto.
Depois de ouvir o relato do guarda-costas, ela não o repreendeu.
Ela pensou em perguntar se ele havia ligado para o garoto, mas, mudando de ideia, engoliu as palavras que estavam na ponta da língua.
Mesmo que ele ligasse até o celular quebrar, aquele garoto provavelmente não atenderia.
Após um momento de silêncio, ela caminhou até a cama, pegou o celular na mesinha e encontrou o número do garoto.
Ela não ligou, apenas enviou uma mensagem de texto:
[Te dou um minuto para me ligar de volta, ou eu arranco sua pele.]
Um segundo, dois segundos, cinco segundos...
Após apenas cinco segundos, o telefone tocou.
Noémia bufou.
Criança levada só aprende na marra!
Ela atendeu a chamada e perguntou com voz fria: — Onde você se meteu?
Antes que ele pudesse responder, um anúncio de embarque soou do alto-falante:
'Atenção, senhores passageiros, o voo LH215 de Roma para a Cidade do Mar já iniciou o embarque...'
O olhar de Noémia se congelou e ela não pôde deixar de gritar: — Você tem meia hora para voltar aqui agora mesmo.
Após um breve silêncio, uma voz masculina e brincalhona veio do outro lado da linha, com um tom infantil:
— Mamãe, não fique com raiva. Ficar com raiva dá rugas. Já não tem ninguém querendo casar com você, se ficar velha então, vai ficar para titia para o resto da vida.
Noémia fechou os olhos com força, seu peito subindo e descendo violentamente.
Como ela pôde criar uma criatura tão insolente?
Reprimindo a fúria que fervia em seu estômago, ela disse entredentes: — Faltam vinte e oito minutos.

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