— O Casamento de Killian e Samia
O jardim da Vila estava irreconhecível.
Isabela havia passado três semanas supervisionando cada detalhe — as flores brancas e douradas entrelaçadas nos arcos, as mesas cobertas de linho creme, as luzes suspensas que, ao cair da noite, transformariam aquele lugar numa constelação particular. Maison havia observado tudo em silêncio, sorrindo daquele jeito que ela ainda não havia aprendido a resistir, e dissera apenas: "Ficou perfeito. Assim como você."
Ela tinha fingido não ouvir.
Mas havia sorrido o caminho inteiro até o quarto.
Nos bastidores, o caos era delicioso.
João tentava convencer Elvis a ajustar a gravata, enquanto Elvis insistia que gravatas eram instrumentos de tortura inventados por pessoas que nunca precisaram respirar de verdade. Kenedy, já impecável desde cedo, observava os dois com a paciência de quem havia desistido de intervir.
"Vocês dois vão atrasar o casamento do meu melhor amigo", disse Kenedy, ajeitando o próprio punho da camisa.
"Ninguém vai atrasar nada", respondeu Elvis, arrancando a gravata do pescoço de uma vez. "Vou sem gravata. Killian vai entender."
João franziu o cenho. "E se ele não entender?"
"Aí você explica."
Nos fundos, Nina — prima de Killian, que havia viajado apenas para esse dia — segurava um buquê reserva e tentava não chorar antes da hora. Dandara, amiga de infância, estava ao lado dela com um lenço já estrategicamente posicionado.
"Você está chorando e a cerimônia nem começou", disse Dandara.
"É que eu conheço o Killian desde pequenininho", Nina fungou. "Ele ficava me enchendo o saco o tempo todo. E agora olha ele."
As duas se abraçaram e choraram juntas.
Do outro lado do jardim, Tany chegou com aquele passo apressado de quem quase perdeu o ônibus mas não vai admitir. Ela era a amiga mais antiga de Samia — a que havia estado presente nos dias em que Samia duvidou, nos dias em que chorou sem saber bem por quê, e nos dias em que finalmente acreditou que merecia ser feliz.
Tany encontrou uma cadeira, sentou, respirou fundo, e murmurou para si mesma com um sorriso que não cabia no rosto:
"Eu sabia. Desde o começo eu sabia."
Ela havia prometido a si mesma que não choraria. Durou exatamente quatro minutos.
Kaline, tia de Killian, cruzou o salão com a desenvoltura de quem nasceu para ocupar espaço. Vestido verde-esmeralda, cabelo impecável, olhar que dizia eu sabia desde o início que ia dar certo.
Ela encontrou Tia Sônia perto da mesa de aperitivos — vizinha antiga de Isabela, aquela que conhecia cada capítulo da história antes mesmo de ela ter nome.
"Sônia, eu te juro que quando vi aquela menina pela primeira vez eu pensei: essa aí vai mudar tudo na vida de alguém."
Tia Sônia sorriu fundo. "E mudou. Mudou na dela também."
As duas ergueram as taças discretamente, sem que ninguém pedisse um brinde. Algumas celebrações não precisam de palavras.
Amarílis e Jesser chegaram de braços dados, como sempre.
Jesser cumprimentou cada pessoa com aquele aperto de mão firme e caloroso que fazia todo mundo sentir que era importante. Amarílis foi direto encontrar Isabela nos bastidores, pegou seu rosto nas mãos e disse, com aquela voz que não admitia dúvida:
"Você foi a melhor coisa que aconteceu para o meu filho. Depois de mim, claro."
Isabela riu, os olhos marejando.
"E antes de qualquer gravata cara", completou Amarílis com um ar de superioridade, lançando um olhar para o pescoço do filho ao longe.
Maison, sentindo o peso daquele olhar materno atravessar o jardim inteiro, endireitou instintivamente a gravata.
Lígia estava sentada na primeira fileira, com o netinho no colo.
Maison Junior Frost Thorne — nome que ainda fazia Isabela apertar os dentes sempre que ouvia completo — dormia com a placidez de quem não tinha a menor consciência do caos que havia gerado ao ser registrado.
A história era assim: Maison havia ido ao cartório sozinho. Havia voltado com um sorriso largo demais para ser inocente. Isabela havia lido o documento, relido, e passado aproximadamente quarenta e cinco segundos em silêncio absoluto antes de virar para o marido com uma expressão que ele descreveria depois, para os amigos, como "assustadoramente calma".
"Maison Junior Frost Thorne?"
"Soa forte. Imponente."
"Soa como o nome de um vilão de filme."
"Vilões memoráveis."
Ela havia respirado fundo. Havia olhado para o bebê. Havia olhado para Maison. E havia dito, com voz baixa e perigosa:
"Você é uma criança."
Maison havia sorrido — aquele sorriso que ela odiava amar — e respondido: "Mas sou seu filho favorito."
Isabela não havia conseguido sustentar a seriedade por mais de três segundos.
Lígia, ao ouvir a história, havia dado uma gargalhada longa e dito que o menino puxava o pai em tudo — inclusive na vaidade. E havia olhado para Isabela com aquele olhar que no início era reservado, depois foi se abrindo, e agora era puro afeto.
"Você segurou esse homem no lugar certo", disse Lígia, apertando a mão dela. "E ele te segurou de volta. É o que importa."
Rodolfo e Natasha chegaram juntos, atrasados como sempre, e com aquela energia que animava qualquer ambiente.
"Estamos aqui!", anunciou Rodolfo, como se o casamento só pudesse oficialmente começar com a presença deles.
"Ninguém perguntou", disse Armando, assistente de Maison, sem desviar o olhar do tablet onde conferia a logística do evento pela décima vez.
"Armando, amor, relaxa. Está tudo sob controle."
"Está tudo sob controle porque eu não relaxei."
Tio Mário, que havia estacionado o carro de Maison com a precisão milimétrica de quem faz isso há anos, passou por eles com um sorriso tranquilo. "O noivo chegou, o jardim está pronto, a noiva está linda. Podem respirar."
Betane e Francis, que haviam ajudado a montar cada detalhe da decoração nos últimos dias, finalmente se permitiram sentar e olhar para o resultado do trabalho. Betane disfarçou o choro. Francis não disfarçou.
"A gente fez isso", sussurrou Francis.
"A gente fez isso", concordou Betane.
Johan chegou sozinho — mas não exatamente.
Ao seu lado, levemente atrasada porque havia saído do plantão correndo para trocar de roupa, estava Clara.
Médica. Cardiologista. Cabelo preso com aquele desleixo elegante de quem não tem tempo para vaidade mas tem presença suficiente para não precisar dela. Tinha conhecido Johan três meses antes, num corredor de hospital, quando ele havia segurado a porta do elevador sem nem olhar para ver quem era — e ela havia entrado, olhado para ele de lado e dito: "Você parece cansado."
Ele havia respondido: "Você parece direta."
Ela havia sorrido. "Cardiologista. Vou direto ao coração."
Johan havia ficado em silêncio por um segundo — e então riu. De verdade. Daquele jeito que raramente acontecia.
Isabela foi a primeira a vê-los atravessando o jardim juntos. Parou no meio da frase que dizia para Natasha, piscou duas vezes, e então sorriu devagar — o tipo de sorriso que começa pequeno e não consegue parar.
Maison, ao perceber a expressão da esposa, seguiu seu olhar. Viu Johan. Viu Clara. Ergueu uma sobrancelha. Depois caminhou até o amigo, estendeu a mão, e disse com absoluta sobriedade:
"Demorou."
Johan apertou a mão dele. "Cala a boca."
Clara olhou para os dois com curiosidade médica e levemente divertida — a expressão de quem já havia entendido que fazer parte da vida de Johan significava herdar um conjunto inteiro de pessoas impossíveis e absolutamente indispensáveis.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Herdeiro Oculto: O Arrependimento do Bilionário
Poderia desbloquear esse capítulo...
Difícil, muda os nomes entra cenas sem pé nem cabeça, primeira vez que vejo erros tão grosseiros. E pagar moedas pra isso, é terrível. Fica mais caro que um livro comum, ainda nesses que todos os capítulos são bloqueados. Uma pena, o Site, tá ficando muito ruim,não ta mais barato que os outros ss o serviço é ruim, fica até pior....
Espero que amanhã o capítulo 122 esteja desbloqueado...
Por favor libera os capítulos, 106 bloqueado sacanagem...
Difícil ler esse livro, estou no 106, e está bloqueado, nem dá prazer em compartilhar para outra pessoa,pq não deixa o livro desbloqueado? Garanto que vcs vão lucrar mais , pois as pessoas ficam desesperada para ler...