“Claro, sem problema algum. Vou enviar um motorista agora mesmo para buscar sua família. Reservei o melhor hotel da cidade para descansarem esta noite. Amanhã, eu mesmo levarei seu filho para conhecer a escola. Depois disso, conversamos sobre o restante.”
Matthew sabia exatamente o que estava fazendo. Ele sempre mirava direto na fraqueza das pessoas. Era um homem de negócios até o último fio de cabelo e sabia lidar com homens como Michael e mulheres como a nova esposa dele.
Michael hesitou por um instante antes de murmurar: “Tudo bem.”
Assim que a ligação terminou, Matthew se virou para o assistente.
“Pegue o carro mais caro da garagem. Vá buscar o Michael, a esposa e o filho dele. Leve-os para o Hotel Silverwave. Garanta que fiquem na suíte presidencial.”
Ele queria que a esposa de Michael visse o que significava viver como rica, e não como pobre.
“Sim, senhor!”
...
Uma pequena vila de pescadores ardia sob o sol.
Denton voltou da beira-mar, todo ensopado de suor e com o cheiro intenso de água salgada. A camisa colava ao corpo como um trapo.
“Vá tomar um banho”, disse a mãe dele, animada. “Alguém vem nos buscar para irmos a Haldoria. Amanhã vamos conhecer a faculdade.” Ela já estava vestida com suas melhores roupas, esperando desde cedo.
Denton não pensou muito nisso. Pegou a mangueira no quintal e jogou água fria sobre o corpo. O jato atingiu a pele como agulhas, mas ele não se importou. Secou-se com uma toalha velha e foi trocar de roupa.
“Pai, quem vem buscar a gente?”, ele perguntou ao sair. “O Tom? Ele vai levar frutos do mar para Haldoria novamente?”
Ele franziu a testa. A mãe estava arrumada demais para uma simples carona.
“Não, não é o Tom”, disse Michael após uma pausa. Ele respirou fundo, como se estivesse se preparando. “Tem uma coisa que eu nunca te contei. Eu sou de Harborton. Já ouviu falar do Grupo Lincoln, certo? É a empresa do meu pai.”
Denton ficou imóvel. Então caiu na risada. “Tá brincando, né? Pai, fala sério.”
A esposa de Michael não pareceu surpresa. Ela sabia de alguma coisa, mas não de tudo. Mesmo assim, arregalou os olhos e soltou um suspiro teatral. “Está falando sério? Se você é rico, então por que nos fez viver desse jeito?”
A voz dela falhou enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas.
Michael sorriu de leve, como se o choro dela não o incomodasse.
“Um homem aprende mais com a dificuldade do que com o conforto. Isso o torna mais forte.”
Denton piscou, sem palavras. “Espera... O que você acabou de dizer...”
Antes que pudesse terminar, o ronco grave de um motor potente ecoou do lado de fora. Um carro de luxo brilhou sob o sol ao parar diante do portão. O som fez todos na vila virarem a cabeça.
Os vizinhos de Denton saíram para olhar. Até os pescadores mais velhos pararam no meio do caminho.
A boca do rapaz se abriu. Ele não entendia muito de carros, mas até ele sabia que aquele valia uma fortuna.
Um homem de terno preto impecável desceu e caminhou até a porta do veículo. Inclinou-se levemente. “Sr. Lincoln, o Sr. Langford me enviou para buscá-los.”
Michael se endireitou, tentando parecer calmo. Ajustou o passo manco e seguiu até o carro.
A esposa o acompanhou com um sorriso radiante, seus olhos estavam brilhando de orgulho. Denton ficou parado, observando.
“Vamos, querido, entra!”, a mulher chamou, com a voz cheia de alegria.
Na casa de Curtis, o clima era mais silencioso.
Depois que Adriana implorou, ele finalmente retirou a denúncia.
Mas Belinda ainda não tinha saído da delegacia. Mesmo quando os policiais disseram que ela podia ir embora, ela se recusou a sair.
No fim, Joe precisou levá-la de volta.
Curtis se recusou a deixá-la entrar. Belinda ficou sentada do lado de fora do portão, encolhida no chão.
Horas se passaram. Mas ela não se mexeu.
Adriana permaneceu dentro de casa, não queria encará-la.
Retirar a denúncia já tinha sido mais bondade do que pretendia oferecer.
Mesmo assim, Belinda não ia embora. Também não tinha comido nada. Apenas ficou ali, esperando, como se acreditasse que alguém finalmente abriria aquele portão.
“O que está olhando?”, Curtis perguntou ao sair do escritório depois de uma longa reunião.
Adriana estava parada diante da janela do andar de cima, com seus olhos fixos lá fora.
“A Belinda... Ela está ali há horas”, ela sussurrou. “Não comeu nada. Talvez você devesse... Falar com ela?”
Curtis franziu a testa e se aproximou. “Esqueça ela”, disse, com o tom seco. Estendeu a mão e tocou o braço dela, verificando o ferimento.

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