Ponto de vista de Cecília
Levantei-me do sofá. "É melhor você ir logo," eu disse, com uma voz firme. "O tempo não espera ninguém - especialmente não o seu piloto."
Os olhos de Sebastian reluziram com algo sombrio - uma mistura de frustração, arrependimento e aquele tipo de cálculo silencioso que as pessoas fazem quando tentam medir o estrago que causaram.
"Sim, senhora secretária," ele disse, tentando ser engraçado, mas soando mais como desespero.
Ele me deu um sorriso superficial que não chegou a seus olhos, e então se virou e caminhou em direção ao quarto, os ombros tensos debaixo da camisa impecável.
No segundo em que ele desapareceu no corredor, voltei minha atenção para Muffin, balançando um brinquedo de pena fora do alcance dela.
Ela o batia com uma determinação constante - leal, previsível e oferecendo uma suavidade que as pessoas costumam reter.
Sawyer aproveitou o momento, estendendo a mão para coçar Muffin atrás das orelhas.
"Escuta, Cecília... o Alfa realmente não queria te deixar de lado ontem à noite," ele disse, baixando a voz como se estivéssemos em um filme de espionagem.
"A culpa foi do Tang - ele entrou em pânico e disse pro Sebastian que você estava segura. E a Luna Regina estava realmente em perigo, tipo um perigo real, não aquelas fofocas de sociedade."
"Tá tudo bem, Sawyer," eu disse tranquilamente, alisando o pelo de Muffin. "Eu entendo. Não estou zangada."
Sawyer me lançou um olhar que dizia tudo:
Claro. E eu sou a Rainha da Inglaterra nas horas vagas.
Antes que pudesse acrescentar qualquer coisa, Tang apareceu como um labrador dourado que sabia que tinha mastigado o sapato errado.
"É tudo culpa minha!" ele disse, com os olhos arregalados e as mãos gesticulando. "Se eu não tivesse saído do salão de festas para relatar ao Alfa... Eu deveria ter ficado com você! Se estiver com raiva, só--só me jogue alguma coisa. Eu mereço."
Ri. Não de forma amarga ou fria. Apenas cansada.
"Jogar algo em você? Por favor. Eu distenderia o ombro antes de fazer um arranhão em todos aqueles músculos de academia."
"Por favor, Cecilia..." A voz dele quebrou um pouco. Culpa de verdade. Arrependimento real.
Com um suspiro teatral, peguei a patinha do Muffin e bati de leve no peito do Tang.
"Pronto. Você foi oficialmente 'tocado' por minha representante legal. Tudo perdoado."
Ele olhou para a pequena pata cinza como se isso o tivesse absolvido de crimes de guerra.
E eu não estava mentindo. Eu não estava com raiva do Tang ou do Sawyer, nem mesmo do Sebastian, se eu fosse brutalmente honesta.
Em algum momento, parei de esperar que as pessoas aparecessem só porque eu apareceria.
Acontece que ser a prioridade de alguém não é algo que se pode presumir.
Se eles aparecessem, era um presente. Se não... bem, era só a realidade.
--
Oito da manhã em ponto.
Hora de ir para o aeroporto.
Tang não estava na lista original para essa viagem, mas ele se voluntariou - de olhos arregalados e ansioso, como um golden retriever implorando por uma segunda chance.
Sebastian não reclamou.
Quando chegamos ao SUV, Tang praticamente se jogou no banco do passageiro como se fosse o último bote salva-vidas do Titanic.
Perfeito. Simplesmente perfeito. Eu estava preso atrás com o próprio nubem de tempestade.
Com a frente ocupada, deslizei para o banco de trás - onde Sebastian já estava sentado como uma tempestade em um paletó sob medida.
No momento em que me acomodei, seu braço se esticou por mim para pegar o cinto de segurança.
O cheiro do banho dele estava grudado nele. Limpo, controlado e perigoso.
Ele me envolveu antes que eu pudesse evitar.
"Eu posso cuidar do meu próprio cinto, Alfa," eu disse, com a voz firme.
"Ah," ele murmurou, com o braço ainda esticado no meu peito, seus olhos fixos nos meus. "Tive medo que você não soubesse como."
Lhe dei um sorriso fino e polido e empurrei seu peito para trás - suavemente, mas de forma definitiva.
Sebastian recuou, sem discutir, mas eu sentia o peso do seu olhar como estática na minha pele durante todo o trajeto.
Virei meu rosto para a janela, vendo as imagens borradas do amanhecer em Denver passarem depressa.
Os postes de luz ainda piscavam como se não tivessem recebido a mensagem de que o sol já tinha nascido.


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