— Me desculpe, é que chegamos de viagem, viemos do interior visitar uma tia e acabamos nos perdendo. Como meu celular descarregou, fiquei sem ter como falar com ninguém.
Foi o melhor que consegui pensar, e para a minha surpresa, a senhora que parecia trabalhar na recepção acreditou.
— Sabe o número? Pode usar o nosso telefone.
Fingi estar feliz pela ajuda e até pensei em ligar para uma amiga da faculdade, mas não sabia o contato de cabeça, e se pegasse meu celular, minha mentira cairia por terra. Peguei o telefone fingindo ligar para alguém e simulei uma conversa. Em seguida, pedi mais um favor para a mulher:
— Ela me disse para pegar um Uber para a Universidade Federal. A senhora conseguiria verificar para mim quanto fica e fazer o pedido, por favor?
— Claro.
Como nós estávamos longe, a corrida me custou R$ 35,00 e, apesar de temer ficar sem dinheiro, eu precisava conseguir ajuda e tirar minhas irmãs da rua. Nós três seguimos, e já acordada, Beatriz começou a choramingar.
— Isa, onde estamos? Estou com fome.
— Nós já vamos comer, maninha, tenha paciência.
Suspirei, angustiada, segurando o choro. Assim que chegamos, as deixei em segurança na cantina, comprando um lanche para cada uma, e aguardei ansiosamente pela chegada de Marina, minha melhor amiga.
— Isadora? — Ela me olhou espantada ao ver o meu estado. — Você está bem? Está tão sumida.
Nesse momento, a abracei, liberando as lágrimas, enquanto explicava tudo que tinha passado.
— Meu Deus! Você é louca! E se esse homem vier atrás de vocês? Se chamar a polícia?
— Eu não sei, não pensei. Preciso arrumar um lugar para ficar, até me organizar.
— Você não pode ficar por perto, ele vai te encontrar. As meninas são menores de idade, ele ainda é o pai delas!


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