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MARCADA ACIDENTALMENTE PELO LYCAN romance Capítulo 10

POV: BLAKE

A simples menção da noite anterior a fez morder os lábios, ruborizando suas lindas bochechas. Senti o tremor discreto atravessar seu corpo, arrepiando sua pele, exalando o cheiro que havia mudado, mais forte, quente, deliciosamente adocicado. Tentadoramente provocante. Viciante.

Um rosnado baixo vibrou em meu peito. Apertei mais seu quadril com força, mantendo-a presa contra mim, sentindo os efeitos da marca sobre nós dois.

— Ah, pequena… — rosnei, sem suavizar o tom. — Controla esse cheiro.

Subi a ponta dos dedos pela coluna dela devagar, sentindo cada contração involuntária sob minha mão. Parei na nuca, fechando os dedos ali, firme, dominante. Alinhei nossos olhares. Lentamente, passei a língua pelos lábios, salivando de desejo em tomar aqueles lábios vermelhos que praticamente imploravam para serem devorados de novo.

Sua respiração descompassou.

— Você não vai querer me provocar aqui!

Ela engoliu em seco. A pele quente. A pulsação rápida contra meu polegar.

— Você… você não deveria estar aqui… — Ela balbuciou, em um sussurro rouco. — Como sabia onde me achar?

— Tenho um bom olfato. — Dei de ombros, puxando o ar devagar, roçando a ponta do nariz contra seus fios ruivos. Minha fera pulsava sob a pele, faminta, impaciente, insaciável por ela. — Você não deveria ter fugido de mim… nem roubado meu carro.

— Eu não roubei. — Ela ergueu mais o queixo, desafiadora. — Só peguei emprestado.

— De onde eu venho, isso se chama roubo. — Estalei a língua, deixando um sorriso quase imperceptível surgir no canto da boca. Seus olhos seguiram o movimento, seu cheiro se intensificou, perigosamente intenso demais para ser ignorado. Ela entreabriu os lábios, passando a língua pelos dentes, provocante, quente. — Vai ser difícil conversarmos se você continuar me olhando assim…

Falhei com a Deusa. Me guardei por anos, jurei pureza, esperei pela verdadeira Destinada. E agora estou aqui, com uma humana marcada por acidente, fingindo ser seu namorado? Isso é ironia do destino ou castigo por ter quebrado meu voto?

Antes que eu pudesse responder, senti um cheiro humano se aproximando: irritante, fraco, possessivo. Meu lobo rosnou baixo na mente: “Ele não tem direito de chegar perto dela.”

— Ayla? Ayla! — a voz ecoou atrás de nós, interrompendo.

Seu corpo se enrijeceu. Ela fechou os olhos com força, mordendo o lábio como se tentasse se recompor.

— Ei, Ayla… tá me ouvindo?

Ela puxou o ar fundo e se virou para encará-lo. Desci o olhar para suas mãos: tensas, inquietas, dedos se apertando, estalando, esfregando um no outro sem controle. Nervosa. Tensa. Desconfortável.

Algo ali não estava certo.

— Algum problema? — perguntei, sem tirar os olhos do homem que se aproximava. — Parece que aquele humano te conhece…

Ela se virou abruptamente para mim, rosto levemente pálido, franzindo o cenho incomodada. Suas mãos pequenas deslizaram por meus braços, agarrando e cravando as unhas no meu bíceps. O vínculo pulsou forte, como se meu sangue respondesse ao dela, um choque elétrico subindo pela minha espinha. Grunhi baixo, de prazer, um rosnado preso na garganta, controlando a vontade de avançar.

— Finja que é meu namorado. — Os olhos verdes se ergueram até os meus, brilhando em súplica. — Por favor…

— Fazer o quê? — franzi o cenho quando o rapaz parou à nossa frente, curvado, tentando recuperar o ar.

Ayla entrelaçou nossos dedos com pressa, sua mão suada. Inclinei a cabeça de lado, acompanhando o gesto com os olhos, subindo devagar por seu rosto, registrando cada detalhe: tensão no maxilar, respiração curta, um brilho triste escondido no fundo dos olhos.

Algo se agitou dentro de mim, bruto, incômodo.

— Ayla, onde você estava? — Ele puxava o ar de forma irregular. — Fui ao seu dormitório, rodei o campus inteiro… achei que algo tivesse acontecido…

Ele parou quando viu nossas mãos entrelaçadas.

— Ayla, o que significa isso? — Apontou, irritado, me medindo de cima a baixo. — Quem é esse cara? Por que estão de mãos dadas?

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