POV: AYLA
Uma voz masculina trovejou perto de mim, grave e imponente, como se viesse de outro lugar, de outro corpo. Não conseguia ver quem falava, meus olhos pareciam colados, as pálpebras pesadas.
— Você a marcou. Como pôde fazer isso? — A voz era fria, controlada, mas carregada de fúria contida. — Tem noção do que acabou de fazer?
Um rosnado baixo e monstruoso respondeu, vibrando direto na minha pele, arrepiando cada poro. O som era animal, primal, vindo de dentro dele não de um homem, mas de algo maior, algo que não cabia em pele humana.
“Eu a escolhi.” As palavras saíram roucas, possessivas, quase um rosnado disfarçado de fala. “Ela é minha.”
— Isso é contra as regras! — A outra voz explodiu de novo, feroz, ameaçadora, quase um grito. — Tem ideia do perigo que a colocou?
“Eu faço minhas próprias regras, Lycan.” A resposta veio lenta, com um estalo de língua afiado. Sentir o ar mudar, mais pesado, mais quente, carregado de algo selvagem que fazia meu estômago revirar.
Tentei me mexer, um gemido escapou da minha garganta, rouco e dolorido. Meu ombro queimava e latejava, os músculos protestavam.
O que está acontecendo?
Quem são eles?
Por que meu corpo não obedece?
A voz masculina cortou o ar pesado, impaciente, quase irritada.
— Ela está acordando. — Houve uma pausa curta seguida de respiração pesada. — O que vamos fazer com ela agora?
— Você pode matá-la, se não quiser lidar com essa bagunça toda. — Outra voz masculina respondeu, divertido. — Problema resolvido.
Me matar?
O pânico explodiu no meu peito.
Não. Não. Eu não quero morrer!
Preciso acordar, preciso me mexer, preciso fugir.
— Isso tudo é culpa sua — rosnou a primeira voz, agora enfurecida, mas com um poder sombrio que fazia o ar parecer mais denso. — E essa é a consequência.
— Ah, não, irmãozinho… — A risada veio de novo, sarcástica. — Eu só tentei animar as coisas, foi o seu lobo descontrolado que resolveu marcar uma humana.
Lobo? Humana?
A palavra ecoou na minha cabeça.
Do que eles estavam falando? Não tinha nenhum lobo no rio, nenhum animal. Só água gelada, correnteza puxando, e aquele homem me arrastando para a margem.
Apaguei de novo.
Lentamente, abri os olhos. A visão embaçada se ajustou ao teto escuro de madeira acima de mim. Meu corpo inteiro latejava, dor profunda nas costelas, nos ombros, nas costas. Resmunguei baixo, toquei o lado do tronco e senti uma pontada aguda. Apoiei as mãos no colchão e me forcei a sentar. A cabeça girou, esfreguei a nuca, tentando afastar a névoa.
— Onde estou…? — murmurei, rouca e fraca.
Olhei em volta para o quarto estranho, nada familiar, nada meu.
Umedeci os lábios, estavam sutilmente inchados, sensíveis, ardendo levemente. Toquei com a ponta dos dedos. Ainda formigavam, como se o beijo dele tivesse deixado uma marca quente e invisível ali.
— Aquele homem da ponte… — sussurrei, coração acelerando. — Por que me beijou daquele jeito?
A lembrança veio forte: lábios ferozes, rosnado baixo, língua invadindo sem pedir, dentes mordendo como se quisesse me devorar. Meu corpo reagiu mesmo agora, um arrepio traiçoeiro subiu pela espinha.
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