Aidan voltou para casa. Assim que pegou 'Eliana', seu celular tocou.
Ele tinha medo de fazer muito barulho perto da urna e estava prestes a desligar o aparelho quando viu que era uma ligação de Robert. O homem hesitou por um momento, mas acabou atendendo.
Do outro lado da linha, ouviu o subordinado dizer com respeito: "Chefe, Laura está morta..."
"Entendi.", Aidan encerrou a ligação e gentilmente acariciou a urna.
Depois de um bom tempo, carregou-a até a porta. Então, saiu de Blanchar Garden e caminhou por uma longa distância até chegar a uma estrada larga. Lá, ficou parado à beira da estrada por bastante tempo, contemplando a urna que tinha em mãos.
As palavras de Laura ainda ecoavam em seus ouvidos.
'Eliana foi morta por você! Se alguém tem que pagar pela morte dela, deveria ser você mesmo.'
'Foi tudo culpa sua, Aidan. Foi você que nunca confiou nela e a empurrou para o abismo, um pouquinho de cada vez.'
Ele se sentia arrasado, pois ela estava certa.
Foi culpa dele. A desconfiança dele que tinha matado Eliana.
A mulher até mesmo disse uma vez, quando estava muito triste: "Aidan, se você tivesse acreditado em mim uma única vez, não teríamos chegado a este ponto".
Ele estava tão angustiado que sentia um forte aperto no peito. Doía até mesmo quando ele respirava. Ele se lembrava das cicatrizes de Eliana por todo o rosto da mulher e de seu olhar determinado quando bateu a cabeça contra o espelho sem a menor hesitação.
O homem, que estava em transe, de repente pisou na estrada.
Ouviu-se o barulho de um carro freando de repente.
No momento em que Aidan caiu no chão, ele ainda abraçava com força 'Eliana'.
Não demorou para que uma multidão se formasse em volta dele. Alguns ligaram para a polícia, outros pediram uma ambulância...
No entanto, Aidan não ouvia as vozes. Ele olhava para o céu azul. No azul escuro do firmamento, o rosto de Eliana foi ficando cada vez mais nítido.
O homem deu um leve sorriso e tentou mexer os lábios. Com muita dificuldade, conseguiu enfim pronunciar aquele nome: "Ellie..."
Demonstrando muito ressentimento e tristeza, Eliana olhou para ele com frieza e disse: "Aidan, não o amo mais. Você vai para o inferno. Não quero vê-lo nunca mais, nem mesmo em vidas futuras. Jamais vou perdoá-lo".
Antes de perder a consciência, o homem sentiu um enorme pesar...
'Não! Esteja você no céu ou na terra, com certeza a encontraria de novo. Por favor, dê-me outra chance...'
...
Ao vê-lo tentar se lançar sobre ela de novo, ela sentiu nojo. A própria mulher havia passado aquele perfume em si mesma. Enquanto o aroma durasse, ele seria incapaz de resistir a ela.
Mas desta vez, ela não deixaria que aquele animal repugnante a tocasse novamente!
Antes que Aidan se levantasse, Eliana deu um tapa em seu rosto. Ela pulou para fora da cama, mas ele a jogou sobre a mesa. Em seguida, a mulher pegou o cinzeiro e o quebrou na cabeça dele.
Assim que se deu conta do sangue escorrendo da testa dele, encarou-o com ainda mais frieza. Revidar não a fazia se sentir melhor; pelo contrário, o ódio continuava crescendo dentro dela.
Neste instante, ela estremeceu e voltou a sentir os arrepios de antes. Era necessário se livrar do perfume o mais rápido possível, caso contrário, ela também perderia o controle.
Eliana engoliu seco e empurrou Aidan para longe. Depois, pegou a bolsa e saiu correndo do quarto.
Assim que encontrou o banheiro público do hotel, lavou o pescoço e o rosto até que só restasse o cheiro do sabonete. Em seguida, olhou para o próprio reflexo no espelho. Era o rosto que tinha quando era apenas uma jovem de 18 anos.
Pensando na aparência trágica que tinha antes de morrer, ela tocou a bochecha por reflexo. Agora, não havia nenhum resquício de sofrimento ali, nem cicatrizes horrorosas... Eliana apertou os olhos e fez uma cara séria, dando um leve sorriso.
Com essa nova chance, ela não cometeria os mesmos erros.
Ao pensar em Aidan no quarto, ela arqueou as sobrancelhas, abriu a bolsa e pegou o celular.
A primeira pessoa de quem ela se vingaria seria... ele!

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