O homem olhou para Eliana ao ouvir sua voz.
Ela fechou os olhos e balançou de leve a cabeça, que latejava, antes de abri-los de novo para focar na pessoa sentada à sua frente.
Logo, tudo clareou, e ela percebeu que era Travis Wilton, amigo de Aidan e também o reitor da faculdade de medicina que ela tinha frequentado.
Ao ver que Eliana estava acordada, Travis se levantou, estendeu a mão para ajustar o tubo intravenoso dela e perguntou: “Senhorita Harvey, você acordou. Como está se sentindo agora? Algum desconforto ou mal-estar?"
“Dr. Wilton? O que você está fazendo aqui?", perguntou ela com a voz um tanto rouca — sua garganta estava seca, pois fazia horas que ela não bebia água.
“O Aidan estava preocupado com a sua situação, tinha medo de que você entrasse em coma ou, pior ainda, falecesse. Então me chamou para dar uma olhada em você", explicou Travis.
A mulher zombou ligeiramente: “Ha, acho que você está enganado — ele não está nem um pouco preocupado comigo. A única coisa de que tem medo é de não conseguir o meu fígado para o transplante.”
“Bom, de qualquer forma, fiz um exame completo e descobri que você está extremamente fraca e em péssimo estado. É tão grave que…”
Dizer que ela estava simplesmente desnutrida e fraca seria um eufemismo. Não havia palavras que pudessem descrever com precisão o quão mal ela estava.
Quem diria que Eliana Harvey, um dia a jovem mais bonita de toda a Mallstrick City, vinda de uma família proeminente e distinta, seria reduzida a um estado tão patético e lamentável?
Ela não pôde deixar de rir do rumo que as coisas tomaram. "Eu era uma pessoa digna, respeitada, amada... O que aconteceu? Como tudo ficou assim? Como cheguei a esse ponto? Travis não precisa nem me dizer nada para eu saber o quão ruim é a minha situação... Pelo amor de Deus, eu mesma sou estudante de medicina, ou, pelo menos, era", pensou.
Eliana suspirou e perguntou: “Tudo bem, mas é tão ruim que não posso doar o fígado?”
Travis não pôde deixar de ficar um pouco surpreso. “Srta. Harvey, você quer continuar vivendo? Se sim, sugiro que não continue com essa ideia. No seu estado, você só deveria deixar isso para lá."
No entanto, ela insistiu: “Não, já decidi: vou doar o fígado. É o único jeito de me livrar daquele homem para sempre."
“Senhorita Harvey, o que está falando? Ficou louca? Vale a pena arriscar a vida por tudo isso?”
Ela deu um sorriso condescendente. "Claro que vale", respondeu com a voz cheia de confiança e resolução.
Então, a porta se abriu de repente e revelou Aidan parado ali. Ele não conseguiu conter a raiva quando percebeu como Eliana sorria para Travis.
"Essa mulher não tem mesmo um pingo de vergonha, não é? Chega perto de qualquer homem que se aproxime dela!", pensou.
Travis se levantou quando o viu entrar no quarto. “Ah, Aidan, chegou na hora certa. Acabei de ajustar o tubo intravenoso dela e comecei a transfusão de sangue.”
Aidan não respondeu nada, apenas olhou friamente para o outro homem antes de se virar para sair, sem nem sequer olhar para Eliana.
Travis arqueou um pouco a sobrancelha, confuso com o comportamento do amigo. "O que foi isso? Por que Aidan olhou para mim desse jeito?", pensou.
"Ei, Aidan, espera, vamos sair juntos", gritou, começando a guardar seu equipamento médico.
Então, Eliana se lembrou de uma coisa e, quando Travis estava prestes a sair, perguntou: “Ei, dr. Wilton, posso falar com você um minuto? A sós?"
Ao ouvir aquilo, Aidan, que estava prestes a sair, parou e se virou. Seu olhar era tão frio que, se olhares pudessem matar, Eliana já estaria morta.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Ame Outra Vez