Tive um sono agitado depois de conversar com o Moris e, após revirar-me na cama por mais de uma hora, resolvi me levantar e tomar um banho. "Vou fazer você vir até mim e me implorar para te marcar." Essa frase continuava ecoando na minha cabeça como um gravador de fita quebrado.
'Argh! Por que ele não pode me deixar em paz?'
Senti minha loba despertando dentro de mim. "Por que não contamos isso para o Zicon? Ele é o nosso companheiro, então pode resolver o problema." Jeannette sugeriu, mas fiz uma cara feia só de pensar na ideia.
"Não quero incomodá-lo com os meus problemas, Jeannette. Além disso, ele já falou claramente que não quer uma companheira e que não nos considera como tal. Então, por que você acha que ele lutaria por nós?" Eu lhe perguntei, mesmo ainda com a imagem vívida do Beta me perguntando acerca do meu relacionamento com o Alfa Granger na mente.
"Você tem razão." Ela respondeu com uma voz deprimida e cortou a nossa conexão, e eu não insisti mais. Depois do banho, coloquei uma legging preta e uma blusa sem manga e desci.
"Luna Rafaela, gostaria de tomar uma xícara de chá com a gente?" Olhei para a sala de estar e avistei Noelle, Mike e Alfa Granger sentados, e ponderei se deveria ir até lá ou não, mas acabei me aproximando.
"Obrigada, Noelle. Mas por favor, me chame de Rafaela." Ele lançou um olhar desconfortável para Moris. "Estou te dando a liberdade de me chamar pelo nome, Noelle. Você não precisa pedir permissão a ninguém para isso." Falei com firmeza, e ele assentiu com a cabeça, curvando-se, enquanto Moris fazia uma cara feia e cerrava os dentes.
"Estou saindo para encontrar alguém, mas me juntarei a vocês em outra ocasião." Rejeitei educadamente o convite e segui para o meu carro.
"Olá, querida, como você está se adaptando à sua nova casa?" A senhora idosa que eu conhecera no restaurante quando chegara à matilha, cumprimentou-me com seu sorriso característico.
"Muito bem, mas vim aqui para conversar com você." O meu comentário fez o seu sorriso crescer, e ela me convidou para entrar. O restaurante estava vazio, exceto por um homem idoso que almoçava em um canto afastado. "Não sei o seu nome..." Falei quando me sentei.
"Wendy Bethlehem. Qual é o seu nome, querida?"
"Rafaela." Ela assentiu com a cabeça. "Sra. Bethlehem, vim aqui para perguntar sobre o nosso Beta. Você sabe alguma coisa sobre ele?"
"Vou lhe trazer um café primeiro. Depois falamos sobre isso." Ela saiu da mesa, e eu olhei para fora. Fiquei observando as luzes decorativas nas árvores até perceber um movimento entre os arbustos que, a princípio, não levei a sério, porém quando vi um moletom verde, levantei de repente da cadeira para olhar com atenção o local.
Meu coração começou a bater mais rápido, o meu receio era de que o renegado tivesse invadido o território da matilha novamente. Dei pequenos passos trêmulos em direção ao quintal e empurrei a porta, caminhando até perto do arbusto, onde parei. "Tem alguém aí?" Sussurrei, mas não houve resposta, então olhei novamente para trás e vi o restaurante vazio. Engoli em seco algumas vezes e comecei a me afastar das folhas com as mãos trêmulas, dando um suspiro de alívio por não ter ninguém ali.

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