Ponto de vista da Rafaela Washington
Dei um golinho no café, absorvendo a bela atmosfera ao redor. Minha mente me dizia que cutucar esse assunto era má ideia, que era melhor não me aprofundar nessa história, mas meu coração ansiava por saber o que fizera Beta Lancelot repugnar a simples menção de ter uma companheira. "Ouvi dizer que o Beta Lancelot tem uma companheira, mas nunca a vi por aqui. Onde ela está?" Perguntei com uma voz curiosa, e a sra.Bethlehem sorriu, entrelaçando os dedos sobre a mesa.
"Ela deixou a matilha há muito tempo." A idosa respondeu, e de repente me senti cercada por um ar cheio de suspense, e mistérios esperando ser respondidos. "Dizem que se sua primeira companheira te rejeita, a Deusa da Lua te abençoa com uma parceira melhor, mas todos na matilha estão esperando pelo dia em que isso acontecerá na vida do Beta Lancelot, para que ele saia do seu tormento."
"O que aconteceu para que ela fosse embora?"
"Não sei dos detalhes, querida, tudo o que sei é que ela o deixou porque acreditava que a posição de Beta não a satisfaria. Por isso, ela se uniu a um Alfa. Mas acredito que ela nunca mereceu o Beta Lancelot, porque ela sempre tratou todo mundo como um criado nos poucos meses em que permaneceu na nossa matilha. Ela odiava crianças! Teve uma vez em que uma menininha correu e abraçou as pernas dela com as mãozinhas pegajosas, e a Luna Celina ficou tão irritada que a empurrou com força no chão, gritando com a criança por ter estragado o seu vestido. Os dois tiveram muitas brigas por causa dessas coisas, e acho que isso também pode ser um dos motivos que a levaram a ir embora." A sra. Bethlehem concluiu, e senti meu coração apertar ao ouvir quão rudes eram as atitudes de Celina.
"Como era o Beta Lancelot antes de encontrar a companheira?" Ela abriu um largo sorriso, e seus olhos se encheram de lágrimas ao lembrar.
"Ele era a alma mais bondosa que alguém poderia conhecer, era o mais alegre dos três membros da alta patente. E ele não dormia com nenhuma mulher, a espera da sua companheira. Ele vivia aqui, vinha à tarde e esperava até eu fechar o restaurante para ir para casa... mas agora ele raramente sai da matilha." A senhora disse com o rosto sério, e eu coloquei a mão na dela, como um gesto de conforto.
"Obrigada por compartilhar tudo isso comigo, sra. Bethlehem." Ela acariciou a minha mão, e nós duas nos levantamos da cadeira. Após dar um longo e caloroso abraço nela, deixei o pequeno restaurante e voltei para a casa da matilha. Já estava começando a escurecer, e eu queria ficar no meu quarto, pensando em tudo o que acontecera nas últimas horas.
Coloquei um shorts rosa e uma blusa sem mangas depois de tomar um banho e peguei meu velho e surrado livro de 'Orgulho e Preconceito', sentando-me no peitoril da janela. O tempo voou, e quando dei por mim, já estava um breu lá fora, iluminado somente pela linda lua cheia.
"Rafaela!" Toc toc. "Rafaela" Coloquei o livro no peitoril da janela e caminhei até a porta do quarto.
"Oi, está tudo bem?" Era Noelle.
"O jantar está sendo servido. Vamos descer?"

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