Ponto de vista de Grace.
A vibração parou de repente. Congelei, sem esperar que terminasse tão rápido quanto havia começado. Minha respiração travou na garganta, meu corpo ainda tremia, e antes que eu pudesse me conter, olhei para trás. Apollo já estava de costas para mim, sua silhueta alta movendo-se em direção à saída, afastando-se como se nada daquilo tivesse acontecido.
Genesis, que acabara de erguer o garfo, arregalou os olhos.
— Só pode ser brincadeira. — Murmurou ela.
— Eu acabei de começar a comer.
Apollo não respondeu, nem olhou para trás. Talvez não a tivesse ouvido, ou talvez apenas não se importasse.
Genesis suspirou dramaticamente, se levantou e pegou uma maçã da bandeja. Seus olhos pousaram em mim e ela sorriu, antes de me dar uma piscadela rápida.
Por sorte, ninguém mais notou. As mesas eram próximas o suficiente para que fosse difícil dizer exatamente para quem o sorriso fora direcionado. Mas eu sabia que aquele sorriso misterioso era para mim.
— Hein? — Murmurou Cedric ao meu lado, franzindo a testa.
— Que estranho. Por que o chefe viria ao refeitório se não pretendia comer nada?
Jaxon assentiu, com o garfo a caminho da boca.
— Pois é, né?
Soltei um suspiro, tentando me acalmar. Eu estava tão confusa. As ações dele tinham me tirado completamente do eixo.
Em um momento, pensei que ele me faria me contorcer até ficar satisfeito; no momento seguinte, ele simplesmente desligou o vibrador e saiu sem dizer uma palavra, como se finalmente tivesse conseguido o que queria.
Uma parte de mim estava aliviada por ter acabado, mas não podia negar que outra parte estava decepcionada.
E eu não entendia o porquê. Por que diabos eu estava decepcionada? Eu realmente gostava desse tipo de coisa? Ninguém com bom senso deveria gostar de algo assim. Eu disse isso a mim mesma com firmeza, tentando calar a vozinha que sussurrava o quão excitada eu estava, mesmo que não devesse.
Danielle quebrou o silêncio com um de dar de ombros.
— Importa por que ele veio aqui? Acho que estamos perdendo o foco. Podemos apenas apreciar o quanto esse homem é gostoso? Ele é literalmente perfeito.
Jaxon deu uma risadinha.
— Você não gosta de mulheres? Achei que a Genesis fizesse mais o seu tipo.
Danielle sorriu abertamente.
— Com certeza. Ela é definitivamente o meu tipo. Mas eu ainda tenho olhos. Ser gay não significa que sou cega. — Ela inclinou a cabeça em minha direção.
— Certo, Grace? Você também acha o chefe um gato?
Suspirei. Por que as pessoas insistiam em me arrastar para toda conversa que envolvesse o Apollo?
Assenti, prestes a formular uma resposta casual, quando o telefone de River tocou.
Virei-me para ele instintivamente. Ele olhou para a tela, com a expressão calma, antes de atender. Não respondeu de imediato. Em vez disso, olhou para mim.
— Parece que eu tenho que sair, tenho uma reunião com alguém.
Eu o estudei. Ele estava sorrindo, mas o sorriso não chegava aos seus olhos. Na maioria das vezes, eu não conseguia ler o River; suas expressões eram sempre bem guardadas. Mas, desta vez, eu sabia, sem dúvida, que aquele sorriso era falso.
Quis perguntar o que havia de errado. Seria por causa do telefonema? Ou era algo totalmente diferente? Mas com tantas pessoas por perto, tudo o que pude fazer foi assentir.
— Falo com você mais tarde. — Acrescentou ele, antes de se levantar, sua cadeira raspando suavemente no chão, e enfim ele saiu do refeitório enquanto finalmente atendia a ligação.
Soltei um suspiro baixo, arrastando a colher pelo arroz já frio antes de dar uma mordida que mal senti o gosto.
Encarei-o, atordoada.
— Espera, o quê? Ninguém me falou de reunião nenhuma.
— É sobre o caso da celebridade. Eles querem ter uma reunião oficial antes de encerrar o caso. Os diretores queriam começar, mas o senhor Hades disse que não começariam sem você. Muitos deles já estão putos por terem que esperar por você, uma novata. Se você os fizer esperar mais, eles vão te odiar. E não podemos deixar isso acontecer.
— ...
Antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, Chase agarrou minha mão e me puxou.
— Vamos!
— Chase! — Tentei argumentar, mas ele já me arrastava em direção ao elevador, praticamente disparando. O aperto dele era firme, e dava para ver que ele estava realmente surtando.
Eu, por outro lado, não fazia ideia de por que aquilo estava acontecendo ou como eu deveria lidar com a situação.
Quando as portas do elevador se abriram no primeiro andar, mal tive chance de recuperar o fôlego antes de Chase me puxar para fora novamente, indo direto para a sala de conferências.
Ele escancarou a porta, e no momento em que entrei, parei. Meu estômago despencou e eu quase tropecei para trás.
Agora eu entendia por que Chase estava em pânico.
Cada diretor na sala virou-se para me olhar, com olhos afiados e hostis. Se olhares matassem... bem, você entende o ponto. Mas essa nem era a pior parte. A pior parte era ele.
Apollo estava sentado no lugar central da longa mesa como um rei em seu trono, parecendo mortalmente entediado com tudo ao seu redor. Ao contrário dos outros, ele não estava me encarando com raiva. Seus olhos não estavam em mim; estavam em Chase.
Ou melhor, na mão de Chase. A mão que ainda segurava a minha.
Engoli em seco com o pulso disparado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
Um dos melhores romances que já li. Bem escrito, sem inconsistências na história, ritmo agradável, e o enredo picante, mas com um toque de comédia tornando a leitura divertida. Daquelas histórias que faz a gente virar a noite fácil....
parou de atualizar......
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...