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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 119

Ponto de vista de Grace.

Empurrei a porta da sala de conferências e soltei um suspiro longo, pressionando os dedos na lateral do pescoço para tentar aliviar a tensão que tinha se instalado ali. Deus, meus músculos estavam moídos.

A reunião tinha terminado há mais de uma hora, mas Aiden e Sarah me chamaram de canto depois para uma sessão particular de acompanhamento — "apenas para repassar algumas correções", disseram eles. Uma hora depois, meu cérebro parecia uma geleia.

Ainda assim, não tinha sido tão ruim assim. Estressante, sim, mas surpreendentemente gratificante. O Aiden e a Sarah eram afiados, e trabalhar com eles era como ver dois profissionais dissecando um quebra-cabeça. Aprendi coisas que não aprenderia em nenhum outro lugar e, apesar da exaustão, uma parte de mim se sentia orgulhosa por ter acompanhado o ritmo.

Dei uma espreguiçada, girando os ombros antes de ir para o elevador. Eu estava no meio do caminho quando, do nada, alguém brotou na minha frente.

— Ai, meu Deus! — Exclamei, dando um passo para trás para não atropelar o sujeito.

— Desculpe pelo susto, senhorita Grace. Você está bem? Eu só queria dar um oi.

Pisquei, um pouco atordoada, semicerrando os olhos em confusão. O rosto dele não me era familiar.

Ele percebeu minha cara de interrogação e deu uma risadinha, coçando a nuca.

— Ah, é mesmo. Você deve ter esquecido quem eu sou. — Ele sorriu com facilidade, como se fôssemos velhos amigos.

— Sou o Jackson, da equipe de vendas. A gente se conheceu na festa de boas-vindas, naquele restaurante.

O nome deu um estalo na minha cabeça um segundo depois.

Jackson. Ah... aquele Jackson.

O cara que tinha me encurralado do lado de fora do restaurante naquela noite, forçando a barra para conseguir meu número, até que o River apareceu e quase matou o coitado de susto.

A memória se encaixou e eu quase gemi de frustração. Tinha esquecido completamente desse incidente ridículo, não que eu pudesse ser culpada, já que ando com coisas muito mais importantes na cabeça ultimamente.

Olhei para ele de novo, e o aviso do River ecoou lá no fundo:

"Ele não é o cara mais decente do mundo. É conhecido por perseguir mulheres, conseguir o número delas, manipulá-las para a cama e depois ficar se gabando e contando para os outros. Não sei o que ele quer com você, mas garanto que não é nada de bom."

Normalmente, eu não era de acreditar em boatos. Aprendi que a maioria é meia-verdade distorcida por inveja ou malícia. As pessoas gostam de falar; isso faz com que se sintam poderosas. Mas não era qualquer um dizendo aquilo. Era o River.

O River não mentiria para mim.

Só de pensar nele, meu peito apertou. Eu sentia falta dele. Desde aquela ligação, ele simplesmente sumiu. Não apareceu para trabalhar nem disse para onde ia. Toda vez que eu ligava, o celular estava desligado, e quando perguntei aos amigos dele, todos diziam a mesma coisa: não tinham a menor ideia de onde ele estava.

A Danielle deu de ombros, dizendo que o River sempre fazia o que queria. Talvez não fosse estranho para eles, mas eu notei como as expressões tanto do Apollo quanto do River mudaram depois daquelas ligações misteriosas. Como os dois sumiram logo em seguida, me deixando apenas com perguntas.

O que era aquilo? E por que eu tinha esse pressentimento corrosivo de que as duas coisas estavam conectadas?

Suspirei baixinho, espantando o pensamento antes que ele virasse uma bola de neve. Já passei noites demais remoendo coisas que não posso controlar. Eu até quis mandar uma mensagem para o Apollo, perguntar se ele estava bem, mas não tive coragem. Não queria parecer grudenta ou desesperada, não enquanto ainda tento entender o que eu sinto.

— Senhorita Grace?

A voz do Jackson me trouxe de volta ao presente.

Ele estava ali com aquele sorriso charmoso e ensaiado, as mãos nos bolsos, como se estivesse esperando eu notar sua presença magnética. Ele me estudou por um momento antes de falar:

— Você parece exausta. Deve ser difícil trabalhar tanto assim.

Forcei um sorriso educado.

— Não é nada...

— Bom, se me der licença, ainda tenho algumas coisas para fazer.

Tentei passar por ele, mas a mão dele disparou e agarrou meu pulso.

— Ei, espera, eu ainda não terminei de falar com você.

Uma pontada de dor atravessou meu pulso. Encolhi o braço e olhei para a mão dele antes de subir o olhar para o seu rosto.

— O que você está fazendo? — Minha voz saiu afiada.

Jackson me deu um sorriso que embrulhou meu estômago.

— Como assim, o que estou fazendo? Só quero conversar.

O encarei com raiva. Conversar? Ele era louco.

— Não é nada demais. — Continuou ele, o tom ficando persuasivo. — Só quero te levar em um encontro legal. Provavelmente faz tempo que você não vai em um, né? Qual é, deixa eu te mimar um pouco por uma vez, você pode acabar gostando.

— Me. Solta. — Minha voz baixou, perigosa.

Eu estava realmente tentando manter a calma. Ainda estávamos no ambiente de trabalho. Eu não podia me dar ao luxo de fazer um barraco. Mas se ele não me soltasse no segundo seguinte, eu ia esquecer qualquer regra de profissionalismo e fazê-lo se arrepender de ter me tocado.

Mas, em vez de soltar, ele apertou ainda mais.

Eu ia abrir a boca para acabar com a raça dele, quando uma voz trovejou pela sala, fazendo o ar vibrar:

— Tire as mãos dela agora mesmo!

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