Ponto de vista de Grace.
Olhei em volta, e honestamente, não estava nada mal. Diferente do caos de antes, tudo parecia realmente organizado. As pessoas estavam trabalhando juntas, conversando e até rindo enquanto realizavam suas tarefas. Fazia apenas alguns minutos que tínhamos dividido os deveres, e as coisas estavam correndo bem.
Bem, quase tudo.
— Ah!
O grito agudo fez todo mundo se virar.
Lá, no fundo da sala, Piper estava me encarando furiosa, com uma caixa jogada aos seus pés. O rosto dela estava vermelho de raiva. Se olhares matassem, eu já estaria a sete palmos do chão.
— Como você ousa me dar uma tarefa difícil dessas, Grace! — Disparou ela, com a voz estridente.
— Você tem noção do quanto eu sou delicada? E você está me fazendo carregar caixas pesadas feito uma serva?! Eu acabei de fazer as unhas, porra. Se elas quebrarem, você vai assumir a responsabilidade? E se meu vestido sujar? Você sabe o quanto ele é caro? Você não tem dinheiro nem pra passar perto dele.
Fiquei encarando ela, ainda segurando uma caixa nas minhas mãos, uma que era claramente bem mais pesada que a dela.
Alguns minutos atrás, quando estávamos dividindo as equipes, ninguém queria fazer par com a Piper. Todo mundo dizia que ela só ia atrapalhar, e honestamente, não estavam errados. Então, para manter a paz, eu me voluntariei para pegá-la no meu time. Tudo o que tínhamos que fazer era mover e organizar algumas caixas. Simples assim. Ou pelo menos deveria ter sido. Mas pelo visto, até isso estava virando um desastre.
Não tínhamos nem desempacotado uma caixa e ela já estava reclamando.
Ao nosso redor, algumas pessoas trocaram olhares, uns revirando os olhos, outros sussurrando baixinho. O nojo no rosto deles dizia tudo. Piper não percebeu, ocupada demais cruzando os braços feito uma criança tendo um ataque de pelanca.
— Eu quero uma troca! — Continuou ela.
— Só porque te colocaram no comando não significa que você pode mandar em todo mundo do jeito que quiser!
Soltei o ar devagar, tentando manter a paciência. A Piper era um pé no saco, de verdade.
— Se você não consegue fazer isso, então o que exatamente você quer fazer?
Piper cruzou os braços, fazendo bico.
— Eu não quero fazer nada, eu vim aqui para trabalhar como agente de RP, não como escrava. Além disso, o departamento de RP nem deveria estar cuidando disso. Era pra gente estar na festa, garantindo que tudo corra bem, já que esse é o nosso trabalho. Mas, graças à sua opinião estúpida, estamos presos aqui trabalhando com o departamento de vendas.
Fiquei olhando para ela, franzindo a testa. Honestamente, quanto mais ela falava, mais eu sentia meus neurônios morrendo. Pela cara de todo mundo, eu não era a única. Ela não parecia apenas antiprofissional, ela parecia completamente ridícula.
Eu estava prestes a responder quando uma voz chamou atrás de mim.
— Grace.
Virei-me e lá estava o senhor Aiden de braços cruzados, com seu olhar afiado percorrendo a sala. No momento em que os olhos dele pousaram na Piper, eles endureceram. Ele com certeza tinha ouvido tudo o que ela disse. Piper estremeceu sob o olhar dele, dando um passo hesitante para trás.
Sem dar a ela nem mais um olhar, ele se voltou para mim, com a expressão suavizando um pouco.
— O que você está fazendo no backstage?
— Estou trabalhando, senhor. — Eu disse rapidamente.
Ele balançou a cabeça.
— Não, você não vai trabalhar aqui, Grace. Você deve ficar no salão principal.
Pisquei, pega de surpresa. O salão principal? Apenas os funcionários importantes eram designados para lá.
Ele caminhou na frente, e eu me virei para a Piper.
As mãos dela estavam cerradas em punhos, as unhas cravando nas palmas, e o olhar que ela me deu poderia ter queimado buracos na minha pele.
— É tudo culpa sua, tudo deu errado por sua causa. — Sibilou ela. — Eu vou fazer você se arrepender.
Inclinei a cabeça ligeiramente, sem me impressionar.
— Você realmente precisa de um bom terapeuta, Piper.
O rosto dela ficou num tom de vermelho ainda mais profundo, mas não esperei resposta. Dar mais atenção a ela só a faria pensar que ela era importante.
Segui o senhor Aiden, com meus saltos clicando suavemente contra o chão de mármore.
No momento em que entrei no salão principal, quase perdi o fôlego.
Meus olhos se arregalaram em choque, era como entrar direto em uma cena de filme.
O lugar brilhava com lustres de cristal, luzes douradas caindo sobre pessoas vestidas com elegância pura. Celebridades, políticos e figuras poderosas enchiam o salão, com suas risadas se misturando ao som suave de música clássica. As mulheres usavam vestidos que brilhavam como diamantes; os homens pareciam ter saído de revistas de luxo, com ternos sob medida e relógios caros brilhando sob as luzes.
Câmeras piscavam enquanto eles caminhavam, bebendo champanhe como se não tivessem nenhuma preocupação no mundo.
Não era de admirar que a Reed Company fosse uma das mais poderosas do mundo; só esse evento deve ter custado milhões.
Quanto mais eu via o quão influente o Apollo realmente era, mais inquieta eu ficava. Porque, não importa o quanto eu tentasse ignorar, eu não conseguia escapar da verdade. O homem com quem eu tinha uma amizade com benefícios era o homem mais poderoso do país.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
Um dos melhores romances que já li. Bem escrito, sem inconsistências na história, ritmo agradável, e o enredo picante, mas com um toque de comédia tornando a leitura divertida. Daquelas histórias que faz a gente virar a noite fácil....
parou de atualizar......
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...