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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 158

Ponto de vista de Grace.

Austin parou o carro em frente à delegacia, e no momento em que o motor silenciou, empurrei a porta e saí. Austin desceu imediatamente também, dando a volta no veículo para se colocar ao meu lado.

Fixei o olhos no prédio do complexo penitenciário, engolindo em seco. Eu sempre brincava que um dia Eleanor acabaria presa por causa de seu temperamento insano, e que Wyatt a seguiria simplesmente por amá-la demais para deixá-la causar o caos sozinha. Eu nunca imaginei que a piada fosse se tornar realidade.

Meu coração martelava enquanto eu tentava calcular quantos oficiais Eleanor tinha ferido ao tentar entrar. Por sorte, não muitos. Talvez apenas um ou dois. Deus, por favor, que não fossem mais de dois.

No pior dos cenários, eu pagaria a fiança deles. Eu ainda tinha dinheiro guardado do meu último salário. Eu os tiraria dali hoje, não importava como. Eles não podiam ficar naquele lugar. Se o Lucas descobrisse que os pais estavam presos, ele teria um colapso, e a Liana... ela provavelmente acharia o máximo e iria querer entrevistá-los para um trabalho da escola.

— Senhorita Grace, por aqui. — Disse Austin gentilmente.

Assenti e o segui.

Quando o guarda na entrada principal percebeu alguém se aproximando, deu um passo à frente para nos barrar, mas no segundo em que viu o rosto de Austin, congelou, com os olhos arregalados. Toda a sua postura mudou instantaneamente.

— Senhor Austin! — Disse ele, curvando-se rapidamente.

Austin sequer reconheceu a reverência.

— Ouvi dizer que algumas pessoas estavam causando distúrbios.

— Sim, senhor. — Respondeu o guarda, parecendo apavorado.

— Por aqui, senhor. Vou levá-lo até lá.

Olhei de relance entre o guarda e Austin, atônita.

Quão influente era Apollo para que até o seu secretário pudesse impor tanto respeito? Era como se todos ali já soubessem que era melhor não questioná-lo.

Austin abriu a porta interna para mim, segurando-a como se eu fosse alguém importante. Senti-me sem jeito com o gesto, sem saber ao certo por que ele me tratava com tanta deferência, mas não questionei. Eu não conseguia pensar em nada que não fosse Eleanor e Wyatt.

Dei um passo para dentro.

A atmosfera mudou imediatamente. Policiais estavam em posição de sentido, alguns com hematomas nos braços, outros parecendo exaustos, todos nos lançando olhares cheios de incerteza. Corri os olhos por cada canto, procurando qualquer sinal dos meus amigos.

Finalmente, chegamos a uma porta no fim do corredor.

— Eles estão aqui dentro. — Disse o guarda, visivelmente nervoso.

Respirei fundo, me preparando mentalmente, e entrei.

No momento em que a porta se abriu, xingamentos altos atingiram meus ouvidos. Olhei para cima e lá estava ela.

Eleanor andava de um lado para o outro como um tigre enjaulado, emanando pura fúria. Suas mãos estavam plantadas nos quadris, o rosto corado de vermelho e a respiração pesada enquanto murmurava impropérios que definitivamente soavam como promessas de homicídio.

De repente, ela bateu o pé contra o chão, virando-se abruptamente.

— Como eles ousaram! Como ousaram fazer aquilo com a Grace! Eu juro, vou matar cada um deles hoje. Eles não vão conseguir andar quando eu terminar, e se esses idiotas não me deixarem ver aqueles desgraçados, eu coloco fogo neste lugar inteiro!

Oh Deus.

Ela parecia falar sério sobre cada palavra.

Apoiado contra a parede com a calma de um homem que já tinha sobrevivido àquele caos vezes demais estava Wyatt. Ele observava a esposa em silêncio, de braços cruzados, assentindo de vez em quando como se aquilo fosse uma discussão normal de uma manhã de terça-feira, e não uma ameaça de incêndio criminoso.

— Me desculpa... me desculpa, Grace. Sinto muito que você tenha tido que passar por isso. Me desculpa por não estarmos lá para te proteger. Sinto muito que você tenha tido que lidar com isso sozinha. Eu sinto muito, de verdade.

A voz dela quebrou.

Eleanor sempre comprava minhas brigas e ficava furiosa por mim, mas raramente mostrava uma emoção como aquela. Vê-la desabar daquela forma por causa do que aconteceu fez algo quente e doloroso inflar no meu peito.

Exalei o ar lentamente e finalmente envolvi meus braços ao redor dela, trazendo-a para perto.

— Está tudo bem, Eleanor. Eu estou bem agora.

Ela chorou ainda mais com isso, tremendo contra mim.

Deixei que ela chorasse.

Quando olhei para cima, Wyatt estava parado ali, sem saber se deveria se juntar a nós ou nos dar espaço. Ele queria se aproximar, eu conseguia ver pela maneira como suas mãos se contraíam, mas não se moveu.

Então, estendi um braço na direção dele.

Os olhos dele suavizaram instantaneamente enquanto ele dava um passo à frente. Wyatt envolveu os braços ao redor de nós duas, segurando-nos firmemente em um abraço protetor.

Atrás de mim, ouvi a voz de Austin dizer baixinho para o guarda:

— Vamos dar um momento a eles.

A porta se fechou suavemente.

E, pela primeira vez desde que tudo aconteceu, eu finalmente senti que podia respirar.

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