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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 202

Ponto de vista de Grace.

— Aqui, Grace. Dá uma mordida enquanto ainda está quente. Você precisa comer alguma coisa. — Disse Wyatt gentilmente, empurrando a tigela de mingau para mais perto de mim.

Ergui meus olhos devagar e olhei para ele, depois para Eleanor, que estava sentada do outro lado da cama. Ambos me vigiavam de perto, a preocupação estampada em seus rostos, como se temessem que eu fosse desaparecer no instante em que desviassem o olhar.

Eles tinham permanecido ali o tempo todo, garantindo que eu não ficasse sozinha nem por um segundo. Baixei o olhar para a tigela à minha frente. Era mingau de arroz, o meu favorito, e Wyatt tinha até adicionado todos os vegetais. Ele sempre se lembrava de detalhes assim.

Encarei a comida por um longo momento, imóvel. Meus lábios estavam secos, meu corpo parecia fraco e minha cabeça latejava com uma dor surda. Eu tinha chorado tanto que sentia meus olhos inchados e doloridos, e tudo ao meu redor parecia distante, como se eu estivesse presa debaixo d'água e o mundo estivesse acontecendo longe de mim. Até algo tão simples como comer parecia exaustivo, como se eu não tivesse forças ou vontade sequer para erguer a colher.

Eu não chorei apenas porque a Hannah tinha morrido; chorei porque não havia mais ninguém que choraria por ela.

Eleanor e Wyatt trocaram um olhar ao me verem continuar ali, estática, sem tocar na comida.

Wyatt soltou um suspiro baixo.

— O que deveríamos fazer? — Murmurou ele, massageando a nuca.

— Ela precisa comer. Ficou inconsciente por um dia inteiro e não colocou nada no estômago.

A expressão de Eleanor mudou então, a preocupação endurecendo-se em determinação. Ela esticou o braço, pegou a colher ela mesma e recolheu uma pequena quantidade de mingau. — O que mais podemos fazer? — Disparou com firmeza.

— Ela vai comer, querendo ou não.

Ela trouxe a colher e a segurou bem em frente à minha boca.

— Vamos, Grace. Come.

Olhei para ela, e ela sustentou meu olhar sem recuar um milímetro.

— Você precisa comer. — Continuou Eleanor, a voz firme.

— Você é minha irmã, então eu te conheço. Você é forte. Não é o tipo de mulher que deixa as coisas a esmagarem e a manterem no chão. Você já sobreviveu a coisas muito piores do que isso. Eu sei que isto é trágico e dói como o inferno, mas não há nada que você possa fazer a não ser viver. Você disse que queria fazer aquela vadia pagar, não foi? Então come. Uma pessoa fraca não consegue fazer isso, e você sabe muito bem.

Suas palavras foram duras, mas seus olhos não. Eles estavam ternos, suplicantes e cheios de zelo. Exatamente como sempre. Sempre que eu queria desistir, sempre que sentia que não conseguiria dar mais um passo à frente, Eleanor e Wyatt estavam lá, arrastando-me de volta para cima. Eles sempre foram as minhas âncoras, mesmo quando eu não percebia que estava me afogando.

Ela estava certa. Se eu quisesse fazer qualquer coisa, se quisesse justiça, se quisesse vingança, eu tinha que viver.

Assenti lentamente e me inclinei para a frente, abrindo a boca e aceitando a colherada de mingau. O calor espalhou-se pelo meu corpo. Eleanor e Wyatt soltaram suspiros baixos de alívio, sorrindo de imediato, como se o mundo tivesse acabado de se encaixar no lugar de novo.

— Isso aí. — Disse Eleanor rapidamente, alimentando-me com outra colherada antes que eu pudesse hesitar. Comi aquela e depois mais outra, meu corpo respondendo aos poucos, embora meu coração ainda parecesse insuportavelmente pesado.

Enquanto comia, meus olhos vagaram pelo quarto. Não era mais um quarto de hospital. Aquele era o quarto de Apollo, o que significava que eu estava na casa dele. Essa percepção fez meu peito se apertar. A última lembrança que eu tinha antes de tudo apagar era de Apollo me amparando antes que eu atingisse o chão, com os braços apertados ao meu redor.

Onde ele estava?

Como se adivinhasse a pergunta no meu silêncio, Eleanor tomou a palavra.

— Ah, o senhor Reed nos ligou há um tempo. — Explicou ela.

— Ele pediu para ficarmos com você.

— Ah...

Ela esticou o braço e segurou minha mão com carinho.

— Ele parecia querer ficar pessoalmente, mas precisou lidar com o que aconteceu. Está tentando encontrar a pessoa que causou tudo isso para que você não corra perigo.

Wyatt assentiu com a cabeça.

— Ele nos instruiu a mantê-la segura. — Continuou Eleanor.

— Mesmo agora, há guarda-costas lá fora. Está todo mundo em alerta máximo. Estão todos tentando caçar a assassina.

Virei a cabeça ligeiramente e olhei em direção à janela. Do lado de fora, dava para ver homens se movimentando, montando guarda, patrulhando o perímetro.

Permaneci em silêncio por um instante, meus pensamentos derivando devagar antes de se fixarem em algo que eu vinha evitando desde o momento em que acordei. Ergui meu olhar e encarei Eleanor e Wyatt, observando suas feições com atenção antes de finalmente quebrar o silêncio:

— Os Jones.

No instante em que aquela palavra escapou dos meus lábios, senti a mudança no ar. Eleanor retesou quase imediatamente e os ombros de Wyatt ficaram tensos, a expressão dele se contraindo de uma forma que me disse tudo antes mesmo de articularem uma frase.

A viagem não demorou muito. Wyatt dirigiu rápido, como de costume, a paisagem parecia um borrão além das janelas, até que finalmente chegamos. Abri a porta do carro e saltei, dando de cara com a construção familiar que eu outrora quisera tanto, desesperadamente, chamar de lar. Estava ali, do mesmo jeito que sempre estivera, mas, de alguma forma, parecia mais distante do que nunca. Não importava quantos passos eu desse à frente, parecia que a distância entre nós só crescia.

Parei e contemplei a casa por um longo momento. Eu costumava me sentir ferida toda vez que vinha aqui, uma dor aguda e conhecida se retorcendo no meu peito. Mas agora não sentia mais aquilo. Não sentia absolutamente nada.

Eleanor esticou o braço e segurou minha mão.

— Grace — chamou suavemente —, você tem certeza de que quer entrar sozinha? Nós podemos ir com você.

Balancei a cabeça.

— Está tudo bem, eu quero encarar isso sozinha.

Eleanor hesitou, claramente relutante em me soltar, até que Wyatt a puxou gentilmente para trás. Dei meia-volta e caminhei em direção à casa, cada passo parecendo mais pesado que o anterior, antes de finalmente alcançar a porta e empurrá-la.

No instante em que a porta rangeu, uma voz familiar ecoou pelo imóvel:

— Quem está aí?

Não respondi.

— Eu não sei quem é você — a voz continuou, exaurida e irritada —, mas, como eu já disse, não tenho dinheiro nenhum. Então, mesmo que tenha vindo até aqui, não tenho nada para te dar.

Dei um passo completo para dentro da claridade, parando na entrada. Olhei ao redor devagar, absorvendo a casa em que cresci — a casa que outrora fora preenchida por barulho, por orgulho, por crueldade. Agora estava vazia. As obras de arte caras tinham sumido, as decorações de que minha mãe costumava se gabar haviam desaparecido e tudo o que um dia fizera este lugar parecer opressor fora arrancado.

Meu olhar deslocou-se para ela.

Ela estava sentada no sofá, com uma das mãos pressionada contra o rosto, a postura totalmente desabada. Parecia mais velha do que eu me lembrava, os cabelos agora majoritariamente brancos, os ombros curvados como se o peso do mundo finalmente a tivesse alcançado.

Ela soltou um suspiro pesado.

— Quantas vezes eu vou ter que dizer que não tenho dinheiro...

Ela interrompeu a frase no meio ao erguer a cabeça. Seus olhos se arregalaram ao pousarem no meu rosto.

— Grace?

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