Ponto de vista de Grace.
Desviei o olhar. Eu precisava.
O jeito que ele me encarava era demais. Meu peito se apertou com tudo vindo de uma vez só, tesão, prazer, confusão, mas acima de tudo havia um sentimento que eu não conseguia ignorar.
Vergonha.
Eu me odiava. Odiava a forma como deixei isso acontecer de novo.
Eu não fazia ideia do porquê eu continuava me colocando nessas situações, por que continuava me envolvendo com esse homem. Talvez alguma parte doente de mim quisesse isso. Mesmo agora, com o calor do toque dele ainda na minha pele, tudo o que eu queria era voltar no tempo… e deixar ele me chupar de novo.
Me recusei a olhar pra ele. Não queria ver aquela expressão, a mesma daquela noite. O jeito que ele me olhava como se eu fosse nada além de uma mulher tentando trocar o próprio corpo por dinheiro.
Naquela noite, eu não tive escolha. Eu estava bêbada, desesperada, quebrada.
Mas agora? Qual era a minha desculpa? Tesão?
O que a gente acabou de fazer… se alguém descobrisse, ia parecer exatamente o que ele me acusou de ser antes. Não, ia parecer ainda pior. Eu seria marcada como a funcionária que transou com o chefe.
Isso destruiria tudo pelo que eu lutei nesses anos. Ia provar que meus pais estavam certos: que mulher não devia correr atrás de carreira, devia só casar e ter filhos.
Em silêncio, ajeitei a calcinha, tentando disfarçar o tecido encharcado grudando demais nas minhas coxas. Levei as mãos ao cabelo, ainda trêmulas, tentando me recompor. E mesmo assim, não consegui olhar pra ele.
— E-eu sinto muito. — Sussurrei.
Minha voz mal saiu.
Tentei ficar de pé, mas minhas pernas me traíram, ainda fracas do prazer que ele arrancou de mim minutos atrás. Minhas coxas tremiam, meus joelhos quase cedendo, mas ignorei. Me levantei da mesa, puxando a barra do vestido pra baixo, tentando voltar a ser alguém minimamente profissional.
— Me desculpa, senhor. — Falei de novo, dessa vez mais alto.
— Eu não devia ter feito isso.
Eu sentia o olhar dele queimando em mim, mas ainda não levantei a cabeça. Já me sentia barata o suficiente, não precisava do olhar dele piorando isso. Só queria pedir desculpa e ir embora antes que ele resolvesse me mandar embora de vez.
— Por que você está se desculpando? — Ele perguntou, a voz baixa e fria, quase… ofendida.
Congelei, passei a língua nos lábios e, por fim, consegui responder:
— É culpa minha. Eu não devia ter deitado na sua mesa. Eu nem devia ter entrado no seu escritório. Se eu não tivesse—
Parei de respirar.
Apollo deu um passo na minha direção. Instintivamente, dei um pra trás. Ele avançou de novo, e eu recuei mais um pouco, até sentir a parede fria nas minhas costas.
Encurralada.
Ele estendeu a mão e colocou um dedo sob meu queixo, erguendo meu rosto com firmeza, sem me dar escolha a não ser encarar os olhos dele.
Estavam mais frios do que eu jamais tinha visto.
Engoli seco. Meu corpo inteiro tremia.
Os lábios dele se curvaram de leve, mostrando um lampejo de dentes brancos, mas não havia um pingo de humor ali.
— Você deitou na minha mesa? — Disse devagar, a voz baixa e perigosa.
— Então você está dizendo que fez tudo sozinha, senhorita Grace? Que eu fui tão irrelevante, tão invisível, que você acha que veio por conta própria?
Meus lábios se entreabriram. Balancei a cabeça rápido.
— N-não, eu não quis dizer—
Ele se aproximou mais, e de repente não havia espaço algum entre nós. O corpo dele colado ao meu, o calor dele me envolvendo.
Mordi o lábio, o peito subindo e descendo, tentando me controlar.
A voz dele saiu baixa de novo, vibrando em mim:
— Então por que diabos você está se desculpando — rosnou — quando fui eu que te mantive naquela mesa e te dei prazer?
Pisquei, o coração disparado.
Por que ele estava bravo por eu pedir desculpa?
Ele estava certo. Não era eu que devia pedir desculpa. Ele começou. Foi ele quem me puxou pra mesa, quem me tocou daquele jeito. Se fosse qualquer outro homem, eu teria ido embora sem dizer nada. Mas ele não era qualquer homem.
Ele era meu chefe. E isso mudava tudo.
— O que você acha? — Ele murmurou, com deboche.
Meu Deus.
Ele sabia. Sabia que eu era a mulher daquela noite, a que chamou ele de daddy, que chorou pelo ex como uma bêbada patética. A que se entregou pra ele sem nem saber quem ele era de verdade. A que chamou ele de babaca e ainda jogou alguma coisa nele depois, acusando ele de ter se aproveitado.
Eu entrei na empresa dele achando que podia esconder isso. Achando que ele não lembrava. Que talvez eu conseguisse fugir do passado.
Mas não. Eu estava no jogo dele desde o começo, só mais uma peça no tabuleiro.
— Você sabia. — Sussurrei de novo.
Ele se inclinou, o rosto perto do meu, a respiração roçando na minha bochecha. O calor fez meu estômago revirar.
— Espero que tenha se divertido muito tentando me enganar, senhorita Grace. — Murmurou.
— Porque foi realmente… divertido.
Tentei recuar, criar ao menos um pouco de espaço entre nós, mas não havia pra onde ir. Minhas costas já estavam coladas na parede, e ele estava bem na minha frente.
— Agora que você falou tudo o que queria, acredito que voltou ao seu juízo. Ou ainda tem mais alguma coisa pra dizer? — Disse ele, indiferente.
Olhei pra baixo, evitando o olhar dele, as mãos se fechando em punhos ao lado do corpo. Balancei a cabeça em silêncio.
— Ótimo.
Ele se endireitou um pouco, ajustando os punhos da camisa como se aquilo fosse só mais uma reunião de trabalho.
— Então eu proponho um acordo.
Aquilo me fez levantar a cabeça na hora.
— Um acordo? — Perguntei, confusa, sem saber se devia me sentir esperançosa ou apavorada.
Os olhos dele encontraram os meus de novo.
— Eu quero terminar o que comecei. Vamos transar, senhorita Grace.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...