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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 51

Ponto de vista de Grace.

Suspirei enquanto enfiava outra colherada de sorvete de menta na boca. Estava começando a derreter um pouco nas bordas, mas eu não tava nem aí.

Eleanor e Wyatt trocaram um olhar do outro lado do sofá, mas não disseram nada. As luzes da sala estavam baixas, a tv lançando reflexos suaves pelo espaço enquanto passava o desenho dos gêmeos.

Liana e Lucas já estavam no chão na frente do sofá, encolhidos um com o outro debaixo de um cobertor, dando risadinhas e dividindo um pote de sorvete de baunilha. Eleanor e Wyatt dividiam um de morango. Enquanto isso, eu me mantinha no meu fiel sabor de menta.

Outro suspiro escapou antes mesmo da colher sair da minha boca.

Eleanor finalmente largou o sorvete e se virou para mim, com as sobrancelhas erguidas.

— O que deu em você? — Ela disse, semicerrando os olhos como se já soubesse a resposta.

— Vai ficar suspirando o resto da noite?

Pisquei, pega de surpresa.

— Eu estou suspirando?

Wyatt soltou uma risadinha. Eleanor apenas balançou a cabeça para mim.

— Você nem percebeu. — Disse ela.

Liana, com os olhos ainda grudados na tela, se intrometeu como se estivesse esperando a vida toda para falar algo:

— Você está suspirando muito, tia Grace. É como se estivesse pensando em algo e ficando triste tudo de novo.

Lucas assentiu ao lado dela.

— É. Tipo... você está decepcionada com o seu cérebro.

Encarei as crianças, atônita por um momento. Decepcionada com o cérebro? O que aquilo sequer significava? Cocei a nuca.

— Eu nem percebi que estava suspirando.

Wyatt olhou para mim.

— Tem algo errado?

Hesitei, sentindo um calorzinho subir pelo pescoço.

— Não, só estou cansada.

Eleanor zombou.

— Cansada o cacete. Você provavelmente está pensando naquele seu chefe gato.

O quarto ficou estático. Liana, Lucas e Wyatt me olharam fixamente.

Meu corpo inteiro ferveu.

— Não é isso... —

O rostinho de Liana ficou sério.

— O seu chefe fez bullying com você, tia? Porque se ele fez, você tem que me falar. Eu vou lá bater nele.

Lucas concordou.

— Eu também.

Eu quase engasguei.

— Não, ele não fez bullying comigo. — Acenei com as mãos na frente deles.

— Não tem nada a ver com isso.

Eleanor sorriu de lado, encostando-se com um espreguiçar.

— Não, crianças. Ele não fez bullying. — Ela piscou para mim.

— Mas a tia de vocês não para de pensar nele. Especialmente hoje, já que é o último dia do... —

Virei a cabeça bruscamente em direção a ela e grampeei a mão na boca dela.

— Você tá louca? — Sibilei. Ela já estava rindo por trás da minha mão.

Liana inclinou a cabeça.

— Último dia de quê?

Lucas assentiu, com as sobrancelhas franzidas.

— É, de quê?

Eleanor ainda estava dando risadinhas, tentando falar sob a minha palma. Olhei para Wyatt, implorando com os olhos para ele fazer alguma coisa. Wyatt suspirou e se levantou.

— Certo, chega por hoje. Crianças, hora de dormir.

— Mas por queeee? — Liana reclamou, esticando as pernas dramaticamente.

— A gente ainda quer ficar acordado e ouvir o que está perturbando a tia Grace! Queremos ajudar!

Lucas assentiu de novo.

— É. A gente pode ajudar.

Wyatt se abaixou e pegou Liana com um braço, levantando-a sem esforço enquanto ela se debatia de leve.

— Vocês não podem ajudar. — Disse ele em tom paciente.

— E está tarde.

Peguei o aparelho, com o polegar pairando sobre o botão de excluir, já assumindo que era o Charles de novo, usando outro número para me tirar do sério, mas meus olhos travaram na mensagem:

[Aqui é Grayson, pai do Charles. Eu estava tentando não me envolver na briga, já que casais brigam o tempo todo, mas parece que agora sou obrigado a intervir. Venha à casa da família imediatamente. Isso se você quiser que seus amigos fiquem seguros.]

Eu congelei.

Meus dedos tremeram em volta do celular. Senti meu coração cair direto no estômago. O pai do Charles. Eu esperava nunca mais ouvir falar dele, mas aqui estava ele, nas minhas mensagens, ameaçando as pessoas que eu amo.

— Grace? — A voz de Eleanor me trouxe de volta para a sala.

Olhei para cima rápido demais.

— Hein?

— Você simplesmente travou. Parece que viu algo que te deixou morrendo de medo. Você está bem?

Engoli em seco. Eu não podia contar para ela. Se Grayson disse que machucaria meus amigos, ele não estava blefando. Aquele homem não blefava. Forcei uma risada trêmula.

— Ah. Não é nada. Coisa do trabalho. A empresa quer que eu dê uma passada lá para resolver um negócio.

Eleanor franziu a testa.

— A essa hora? Achei que você tivesse dito que estava de folga. Eles podem fazer isso?

Assenti devagar.

— É de última hora. Provavelmente algo urgente no meu departamento.

Ela me encarou claramente desconfiada, mas não insistiu. Em vez disso, levantou-se e pegou atrás do sofá um moletom grosso e gigante que pertencia ao Wyatt.

— Está frio lá fora. Vista isso. — Disse ela, me entregando.

Peguei em silêncio. Meus dedos ainda tremiam enquanto eu o vestia.

— Não me esperem acordados. — Disse, o mais casualmente que consegui.

Eleanor assentiu, com os olhos me seguindo enquanto eu ia para a porta.

— Se cuida, tá?

— Sempre.

No segundo em que pisei do lado de fora, o ar gelado tocou meu rosto. Meus passos ecoavam na calçada enquanto eu descia a rua. Quando vi um táxi, levantei a mão para chamá-lo. Ele parou ao meu lado. Abri a porta e deslizei para dentro.

O motorista se virou levemente.

— Para onde?

— Propriedade Grayson. Rua West Hollis, 67.

Enquanto o táxi pegava a estrada, fiquei olhando pela janela, apertando o moletom do Wyatt com mais força em volta de mim. O que quer que viesse a seguir, eu teria que encarar sozinha.

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