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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 75

Ponto de vista de Grace.

Fechei os olhos e pressionei dois dedos contra a têmpora. As palavras na página começavam a se misturar. Eu deveria ter parado horas atrás, mas toda vez que pensava em largar a pasta, eu me forçava a continuar.

A essa altura, nem era mais porque me ordenaram, era porque eu realmente queria.

Na faculdade, eu escrevi comunicados de imprensa para pequenos projetos do campus, mas isso era maior. Nem percebi quando aconteceu, mas comecei a gostar daquilo.

Meu celular apitou me interrompendo. Larguei a pasta sobre a mesa e deixei meu olhar derivar para o aparelho.

Era River.

[Você está ocupada?]

Suspirei e fechei os olhos. Droga. Eu tinha esquecido completamente de avisar que não conseguiria almoçar. Digitei de volta:

[Sim, estou. Sinto muito, vamos almoçar em outra ocasião. Por minha conta.]

Não demorou para a resposta dele chegar:

[Não se preocupe. Eu já esperava. E vou cobrar essa oferta.]

Encarei as palavras por um segundo a mais do que o necessário. Por que imaginei ele sorrindo maliciosamente enquanto digitava aquilo? A imagem era tão clara na minha cabeça: River recostado na cadeira, relaxado e divertido, como se soubesse de algo que eu não sabia. Balancei a cabeça, afastando o pensamento.

Outro apito.

[Além disso, ouvi dizer que haverá uma festa de boas-vindas para os novos recrutas da equipe de relações públicas. Você vai?]

Ergui uma sobrancelha para o celular. O senhor Aiden tinha mencionado inicialmente que não haveria festa por causa da situação atual, então talvez tenham mudado de ideia depois que o problema foi resolvido.

Jantar com aquele grupo de garotas? Se dependesse de mim, passaria a noite em casa enrolada com um livro, mas eu não tinha escolha; faltar poderia irritar as pessoas erradas.

Digitei uma resposta rápida:

[Sim, eu irei.]

Joguei o telefone de lado e tirei os óculos, massageando a ponte dolorida do meu nariz. Meu corpo todo doía, rígido de tanto ficar sentada. Espreguicei-me, soltando um pequeno gemido, e como se fosse um sinal, meu estômago roncou alto.

— Perfeito. — Murmurei para mim mesma. Faminta, exausta e meio cega.

Balancei a cabeça e estendi a mão para a pasta novamente, determinada a terminar, quando uma sacola de delivery pousou na mesa à minha frente.

Pisquei, assustada, e olhei para cima. Austin estava parado ali com seu sorriso familiar.

— Bom trabalho, senhorita Grace. Trouxe algo para você comer. — Disse ele.

Pisquei novamente, completamente desorientada pela gentileza.

— Ah, não, está tudo bem. Eu posso...

Ele sorriu ainda mais, interrompendo-me com um balanço de cabeça.

— Oh, você está enganada. Não fui eu quem trouxe a comida. Sou apenas o entregador.

— Entregador? — Repeti baixinho.

Ele levantou um dedo e apontou em direção à parede de vidro do escritório.

Meu coração quase parou.

Do outro lado, atrás de sua mesa, Apollo trabalhava como se nada no mundo o preocupasse.

Meus olhos se arregalaram, quase saltando das órbitas. Sério? Apollo realmente disse a Austin para me comprar comida?

Austin, claramente se divertindo com a minha reação, inclinou-se um pouco mais, um sorriso travesso surgindo nos lábios.

— Ele deve ter se sentido mal por deixar você pular o almoço

Engoli o deboche que subia pela minha garganta. Duvidava muito disso. Mas não disse nada, apenas murmurei:

— Obrigada.

Olhei para a sacola novamente e franzi a testa. Claro, era uma grande quantidade, mas quarenta mil? Eu poderia comprar um carro popular com isso.

Passando a mão pelo cabelo, recostei-me no assento. Agora eu me sentia culpada. Comer aquilo sozinha de repente parecia um crime. Minha consciência me cutucava impiedosamente.

Suspirei.

— Eu te odeio. — Murmurei para mim mesma, porque eu sabia o que estava prestes a fazer.

Se o pior acontecesse, eu sempre poderia me jogar da ponte do constrangimento mais tarde. Pelo menos a água seria mais gentil do que os olhos de Apollo.

Pegando a sacola, me forcei a levantar. Minhas pernas pareciam feitas de chumbo enquanto eu caminhava lentamente em direção à porta do escritório dele.

Ao chegar lá, congelei, fechei os olhos e expirei. Meu coração estava disparado. Antes que eu pudesse mudar de ideia, bati na porta.

Uma voz profunda respondeu quase instantaneamente:

— Entre.

Abri a porta e entrei. Seus olhos aveludados foram a primeira coisa que vi, travando em mim no segundo em que entrei.

Cada instinto em mim gritava para parar, dar meia-volta e correr, mas de alguma forma, forcei-me a seguir em frente, fechando a porta atrás de mim com um clique.

Apollo largou o documento que segurava, recostou-se na cadeira e apoiou os cotovelos na mesa, unindo as mãos. Sua sobrancelha arqueou, uma centelha de curiosidade cruzando sua expressão, de resto, fria.

— Precisa de alguma coisa, senhorita Grace?

Engoli em seco, meus dedos apertando as alças da sacola. Por um segundo, quase não consegui falar.

— Eu... — Minha voz falhou, e tentei rapidamente de novo.

— Senhor Apollo... o senhor gostaria de almoçar comigo?

E assim eu soube: eu definitivamente ia me arrepender disso.

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