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Memórias Destruídas: Não Há Volta Para Nós romance Capítulo 2

Ela já conseguia sentir os movimentos dos dois gêmeos que carregava no ventre.

Ela havia feito exames na clínica do Grupo Campos várias vezes e sempre diziam que era um único bebê.

— Doutor, guarde os fetos que foram retirados nessa urna. Sem mais lágrimas nos olhos, Alana entregou uma urna funerária preta ao médico.

Depois de fechar a tampa da urna, ela a envolveu em papel de presente preto e amarrou um laço por cima. Se não soubessem o que havia dentro, pareceria um presente comum.

Segurando a urna preta com os restos dos seus dois filhos contra o peito, ela saiu do hospital e rumou de volta para a Mansão das Águas.

Mal entrou na mansão, a babá se aproximou com o rosto fechado e estendeu o celular: — É uma ligação da Dona Helena.

Alana não pegou como de costume. A babá achou estranho e colocou no viva-voz:

— Saí para tomar o chá da tarde. Quando eu voltar, quero um ensopado de peixe branco, faça tudo perfeitamente. E também, deixei minhas roupas usadas na lavanderia. Como sempre, lave todas as roupas à mão, passe e guarde nos devidos lugares. Você deve esfregar todo o piso de joelhos três vezes, e eu vou conferir tudo ao chegar. Hoje mesmo, dê folga para todos os funcionários da Mansão das Águas. Você vai ser responsável por todos os afazeres sozinha.

A ligação foi encerrada.

Com a urna dos dois filhos nas mãos, Alana olhou ao redor daquela mansão imensa.

Arthur não a amava, e Dona Helena Campos também não gostava dela como nora.

Dona Helena dizia estar ali para tomar conta dela, mas na realidade a tratava como uma empregada. Mesmo sabendo da gravidez, continuava exigindo que Alana a servisse em tudo.

Além disso, sempre que Alana chegava do trabalho, ela deixava uma pilha infinita de tarefas pesadas e sujas para mantê-la ocupada o dia todo.

A certidão de casamento não tinha nenhum valor aos olhos da sogra e do marido; ela só era vista como uma empregada contratada para servir a família. Na verdade, sua condição era pior que a de uma babá: ao menos a babá recebia salário e não era obrigada a gerar filhos para a família.

Desta vez, Alana não agiu como antes, pegando os ingredientes para trabalhar sem reclamar na cozinha; ela se virou e subiu as escadas.

Vendo o comportamento atípico de Alana, a babá virou as costas e ligou para reclamar com Dona Helena!

Ouvindo as palavras exageradas, Alana continuou a ignorar.

De volta ao quarto, ela olhou para a foto de casamento emoldurada e depois para a urna que carregava. Aquele lugar nunca lhe pertencera; já era hora de abrir os olhos para a realidade.

Em meio a seus pensamentos, o celular tocou.

Ela o tirou da bolsa, olhou para o identificador de chamadas e teve um momento de confusão. Era surpreendentemente uma ligação de Henrique.

Sem hesitar, Alana atendeu.

— Henrique, sou eu... Eu... sou Alana.

— Alana, você não precisa mais me ligar. Da última vez você me pediu para ajudá-la a recusar o convite do Projeto Fênix do governo. Eles viram a sua determinação em recusar, souberam que você estava grávida e concordaram em encontrar outra pessoa. De agora em diante, ninguém de nós vai mais incomodá-la. O Professor também não. Viva sua vida em paz.

Ao ouvir essas palavras, Alana ficou paralisada por um longo tempo.

Desde a faculdade, ela era um talento cultivado em segredo, participando de diversos projetos de pesquisa confidenciais do governo federal. Depois, até se juntou a Henrique e abriu uma empresa.

Com a ajuda de sua tecnologia, em um ano, a empresa abriu capital e ela se tornou a principal acionista nos bastidores.

Posteriormente, ela participou diversas vezes do desenvolvimento de projetos confidenciais do governo. Vários pesquisadores de peso no país a conheciam e queriam aceitá-la como aprendiz...

Mas ela se apaixonou pela pessoa errada. Por culpa de Arthur, abandonou uma carreira promissora, recusou convites de projetos importantes e passou os dias só com tarefas domésticas insignificantes da casa dos Campos.

E também, por isso, recusou inúmeros convites para projetos de pesquisa nacionais que outras pessoas imploravam para conseguir.

Ela desperdiçou quatro, quase cinco anos de sua vida por um homem que não a amava.

Quando encontrasse Arthur, contaria a ele que os dois bebês tinham morrido e que aquele casamento chegaria ao fim naquele instante.

A gravidez só estava no quarto mês, mas mesmo assim, a perda dos gêmeos exigiria um longo período de repouso pós-aborto.

Alana olhou-se no espelho, inchada devido à gravidez. O casaco preto de plumas estava manchado de sangue e exalava o cheiro de sangue.

Ela se limpou e jogou fora as roupas manchadas de sangue.

Quando Alana estava prestes a arrumar suas coisas para ir embora, a babá bateu à porta: — O senhor voltou e pediu para você descer.

Alana ficou um pouco surpresa.

Ele era o líder da família Campos, uma figura superior. Desde que ele casou com ela e ela se mudou para lá, ele quase nunca pisou naquele lugar.

Só na empresa ela podia vê-lo e falar com ele.

Então, por que ele veio hoje?

Seria por causa do bebê, ou ele queria falar com ela sobre o que aconteceu no hospital?

Ou perguntar por que ela tinha ligado tantas vezes para ele.

Com inúmeras suposições na cabeça, Alana desceu as escadas, mas tudo o que ouviu foi a frase:

— Não tem tempo para fazer o pré-natal, mas tem tempo para me seguir?

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