"Pode."
Desde que eu pudesse ganhar tempo, por mais exagerado que fosse o pedido, eu tinha que aceitar.
Nelson me olhou com firmeza. "Eu vou com você."
"Obrigada."
Quando todos duvidavam de mim, quando todos me atacavam, apenas Nelson acreditava em mim. Meu coração se encheu de sentimentos confusos, mas, acima de tudo, fui tocada por sua confiança.
"Mas antes disso..."
Gregorio voltou a falar.
Senti um aperto no peito, achando, por instinto, que algo havia mudado, ou que ele tinha mudado de ideia.
"A Sra. Silva está internada, em parte, por sua causa. Não acha que deveria ir visitá-la?"
Não era mentira. Eu não tinha motivo para recusar.
"Devo ir."
Eu era a responsável.
Mesmo que o erro não tivesse partido de mim, não podia me eximir da culpa. Visitar e saber do estado da Sra. Silva era mais que necessário.
Quanto aos outros convidados, deixei que meus colegas cuidassem da evacuação.
Antes de sair, pedi ao Thiago: "Não se esqueça, peça para os seguranças fecharem aqui e não deixarem ninguém mexer em nada. Quando eu voltar, quero conferir tudo pessoalmente!"
"Tudo bem."
Fui ao hospital acompanhada de Gregorio.
Durante todo o trajeto, o rosto dele permaneceu frio como gelo, como se alguém lhe devesse uma fortuna.
Achei normal.
Afinal, quem estava em perigo era a futura sogra dele.
Quando o carro parou, Gregorio olhou repentinamente para Nelson, com um brilho cortante nos olhos.
"O que você está fazendo aqui?"
"Não estou tranquilo, é claro que vou acompanhar ela."
O clima entre eles era tenso. Nelson, embora gentil, também sabia ser firme quando necessário.
Era como se dois touros estivessem se encarando.
Não sei por que, mas parecia até que eram inimigos de outras vidas!
"Nesse momento, não dá pra discutirmos entre nós, certo? O importante é visitar a Sra. Silva."
Eu já estava quase perdendo a paciência.
Os dois pareciam ter tempo de sobra!
Trocaram olhares, bufaram friamente ao mesmo tempo e viraram o rosto.
Virei-me. Ele tinha uma expressão indecifrável.
"Vocês dois vão juntos?"
Olhei para Nelson.
Ele respondeu: "De qualquer maneira, vou ficar ao seu lado."
"Então vamos juntos."
Ter mais alguém para me ajudar só seria bom para mim.
"Vocês realmente são inseparáveis."
O tom de Gregorio era frio e irônico.
Eu nem me dei ao trabalho de entender qual era o problema dele dessa vez.
Saí do hospital com Nelson.
Mas aquela sensação de um olhar pesado nas minhas costas persistiu por um bom tempo.
No local do evento, o burburinho já tinha sumido. Restava apenas o silêncio.
Thiago estava lá desde que saí.
"Alguém apareceu enquanto eu estava fora?"

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