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Mentira Nua romance Capítulo 234

Isso era pura retaliação, sem nenhuma piedade. Quando retirei minha mão, o rosto dele já estava todo vermelho.

"Bem feito! Quem mandou bancar o bêbado pra cima de mim?"

Levantei para voltar ao meu quarto, mas de repente lembrei que minha avó também estava em casa, e ela sempre seguiu à risca o hábito de dormir cedo e acordar cedo.

Se minha avó, ao acordar, visse um homem dormindo no sofá, ela levaria um baita susto!

Resignada, tive que arrastar aquele problema para dentro do meu quarto.

Quando eu estava prestes a fechar a porta, minha avó saiu do quarto. Ao levantar os olhos, ela encontrou os meus.

"Você voltou, Cristina."

Fiquei parada, rígida na porta, agarrando com força a maçaneta. Gregorio estava logo atrás da porta, eu segurava a porta com uma mão e o puxava com a outra, tentando fazê-lo deslizar devagar até o chão, para não desabar com um estrondo.

"Vó, já está tarde, a senhora devia ir dormir cedo."

"Sem pressa, aproveitando que você chegou, a vovó queria conversar um pouco com você."

Lancei um olhar rápido para Gregorio.

Eu estava bem ali, usando a porta para esconder ele. Qualquer passo em falso e minha avó veria que tinha alguém atrás da porta.

Mas ela continuava me chamando com a mão.

"Vem cá, a vovó quer conversar rapidinho."

Se fosse em outra ocasião, eu iria com prazer conversar com ela. Mas com esse abacaxi do meu lado, não podia ser tão direta na recusa.

Então, bocejei, exausta.

"Vó, vamos deixar pra amanhã? Hoje foi um dia puxado na empresa, estou morta. Só quero dormir logo."

"Ah, então vai descansar. Amanhã a gente conversa, tá bem? Amanhã é sábado, pode dormir até mais tarde. A vovó faz um café da manhã gostoso pra você."

"Obrigada, vó."

Assim que a vi entrar no quarto, fechei a porta do meu com toda a pressa do mundo.

Nem pensar em deixar ele dormir na minha cama.

Ainda bem que o chão do meu quarto tinha carpete, e no armário havia um edredom novinho.

Ter deixado ele entrar já era generosidade demais da minha parte.

Se eu fosse mais dura, teria largado ele do lado de fora do condomínio. Afinal, ele era só um problemão pra mim naquele momento.

Ele se levantou do chão.

A elegância e o porte pareciam natos nele.

Mesmo com o terno amassado, depois de passar a noite em situação tão desconfortável, assim que o efeito do álcool passou, ele voltou ao estado habitual, sóbrio, elegante e indiferente.

Nenhum traço do descontrole da noite anterior.

Quase parecia que eu tinha imaginado tudo aquilo.

Mal abri a porta e ouvi a voz da minha avó conversando com minha mãe na sala.

Fiquei surpresa de ver minha mãe agindo normalmente hoje e fechei a porta rapidinho.

Gregorio baixou os olhos para mim. "O que você está fazendo?"

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