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Mentira Nua romance Capítulo 236

Aos poucos, ele foi se afastando, até desaparecer por completo.

……

No dia seguinte, cheguei à empresa e, de imediato, avistei aquela silhueta mancando.

Continuava alto e imponente, mas o passo vacilante lhe dava um ar mais desajeitado e até um pouco patético.

Bem feito.

Não sentia a menor pena dele.

Afinal, quem mandou se embriagar e aparecer na minha casa dizendo um monte de coisas sem sentido?

Lidia estava toda atenciosa com ele.

"O que aconteceu com sua perna? Se machucou?"

Ele balançou a cabeça, a voz arrastada, "Foi um descuido, não é nada."

Ao virar o rosto, me viu.

Nos olhos frios, passou um lampejo de irritação, o que fez aquele olhar habitualmente distante e indiferente se tornar subitamente mais vívido.

Desviei o olhar sem expressão, fingindo não ter percebido.

Só que, no instante em que passei por eles, ainda pude ouvir a conversa entre Lidia e ele.

"O que foi que aconteceu com você?"

"Fui mordido por um cachorro."

Soltou as palavras entre os dentes.

Parei de andar por um instante — lembro perfeitamente que ontem à noite não havia cachorro nenhum lá embaixo. Como assim foi mordido?

Quando entendi, virei o rosto para encará-lo.

Ele, por sua vez, esboçou um leve sorriso de canto de boca, quase orgulhoso, "Um spitz alemão, pequeno, mas bravo, sem coração nenhum."

"Então precisa tomar vacina imediatamente! Se for mordido por cachorro e não tomar, pode acabar pegando raiva!"

Lidia estava visivelmente preocupada.

Mas ele respondeu com calma, "Já tomei a injeção, mas depois ainda preciso acertar as contas com esse cachorrinho."

"Deixa pra lá, é só um cachorro."

De quem ele estava falando?

Ele é que era cachorro!

Cerrei os dentes de raiva e, de repente, falei: "Diretor Marques, se foi mordido por um cachorro, tem mesmo que tomar a vacina, a Srta. Rocha está certa. Se não tomar, pode pegar raiva, e dizem que quando a raiva ataca a pessoa fica completamente fora de si. Uma pessoa tão admirada como o senhor, é melhor não pegar uma doença dessas, né?"

Ele semicerrrou os olhos.

"Já tomei a vacina."

"Ah, já tomou? Que bom."

Lidia me lançou um olhar.

Nele, havia um quê de desconfiança, de suspeita.

Meu coração apertou — hoje acabei me exaltando, não devia ter falado tanto com ele na frente da Lidia.

"Então vou deixar vocês a sós."

Assim que saí daquele ambiente, até o ar pareceu ficar mais leve.

No dia seguinte, de manhã cedo.

Fui apressada para a empresa, após receber uma ligação da Sra. Camila. Seu tom era sério, o que me deixou ansiosa.

Com medo de ter cometido algum erro no trabalho, corri para a empresa.

Empurrei a porta da sala de reuniões.

Gregorio, Diretor Sequeira, Sra. Camila.

Estavam os três, como se fosse um tribunal pronto para me julgar.

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