Entrar Via

Mentira Nua romance Capítulo 249

"Não."

Mesmo que tivesse, eu não admitiria.

Além do mais, embora estivesse preocupada, era só porque não queria entrar em conflito com a mãe do Gregorio, não era medo.

Ao ver que eu não demonstrava nenhum sinal de medo ou pavor, Katia pareceu desapontada e soltou um resmungo frio.

Virou-se e caminhou em direção à cozinha.

"Vou deixar minha festa de aniversário nas suas mãos. Além de planejar tudo, você também vai ter que fazer o bolo pra mim. Lembro que você leva jeito pra isso."

Deu a ordem com a maior naturalidade.

Como se estivesse falando com uma empregada.

Mas já que eu estava ali, queria resolver tudo o mais rápido possível e evitar confusão.

Fazer um bolo, só isso.

Tudo bem.

Enquanto eu preparava o bolo, Katia sumiu não sei pra onde. Fiquei sozinha, sem nenhuma ajuda, mas não me importei; até gostei da tranquilidade.

Fiquei olhando pro forno, meio distraída.

Minha família era muito pobre; mesmo quando meu pai não apostava, nunca sobrava dinheiro. Eu já tinha comido bolo, mas só aqueles mais simples, comprados na padaria do bairro, bem baratos, coisa de alguns reais.

Em casa, nunca tivemos forno; eu nunca tinha tentado fazer um bolo sozinha.

A primeira vez que fiz um…

Foi antes de começar a namorar o Gregorio, no aniversário dele.

Eu sabia que ele não gostava de festa, nem de muita gente, então não contei pra ninguém. Um mês antes, comecei a aprender a fazer bolo, foi difícil, cometi vários erros engraçados, perdi muitos ingredientes à toa.

Mas no final, deu certo.

Ficou bem feio.

Eu já estava pronta pra ver o Gregorio jogar tudo fora.

Mas ele comeu.

Fiquei tão feliz que nem sabia o que fazer. Mesmo com as mãos todas machucadas de não saber usar o forno direito, doendo e ardendo, eu estava muito contente.

"Cristina, você é incrível mesmo, hein? Pedi só pra você fazer um bolo e ainda assim não consegue. Lembro que quando queria agradar meu irmão, você era bem mais habilidosa. E agora, por que não consegue mais? Aposto que fez de propósito!"

Ela se aproximou, chutou as luvas pro lado e olhou pro bolo no chão com desprezo.

A água fria aliviou um pouco a dor dos meus dedos, mas não consegui evitar de retrucar: "Foi a luva, ela rasgou do nada e acabei me queimando…"

"Não vem com desculpa! Se não sabe fazer, assume logo. Não adianta querer se justificar comigo. Pode falar bonito o quanto quiser, eu não acredito. Você fez de propósito pra estragar minha festa de aniversário!"

Ela gritou, sem se importar com minha explicação.

Ou talvez, não quisesse ouvir mesmo.

O barulho da água continuava, até que ela veio e fechou a torneira. "Você acha que a água aqui é de graça? Vai ficar desperdiçando assim?"

Sem a água fria, o calor voltou a queimar minha pele, a dor ficando cada vez mais intensa, deixando tudo ainda pior.

Deixei a mão cair do lado do corpo, olhei pra ela sem expressão.

"O que você quer?"

"Quero que você peça desculpas, limpe essa bagunça toda e continue trabalhando! Se quebrar mais algum prato, eu vou contar tudo pro Diretor Sequeira. Se nem uma festa de aniversário consegue organizar, acho que nem precisa mais ser chefe de equipe na empresa!"

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Mentira Nua