Quando minha avó saiu da sala de emergência, o médico disse aquela frase: “A cirurgia foi um sucesso, por enquanto não há risco de vida.”
Meu coração finalmente relaxou e o cansaço atrasado me tomou de assalto. Minha visão escureceu e quase desmaiei.
Nelson me segurou a tempo.
“Você está bem?”
Balancei a cabeça, olhando o médico empurrar minha avó para a UTI. Fiquei parada na porta, olhando ansiosa. Assim que o médico saiu, perguntei sem conseguir esperar: “Como está minha avó?”
“O quadro dela piorou, a situação é muito grave.”
Cambaleei um passo para trás, encostando nas paredes frias, me esforçando para perguntar: “Então, o que pode salvar minha avó?”
“Vou ser sincero com você, a situação dela não é boa. Apesar de ela ter resistido até agora, pode acontecer algo a qualquer momento... Da última vez que sua avó teve alta, fizemos uma reunião sobre o caso dela. Se não houvesse piora, estaria tudo certo. Mas agora... nós realmente fizemos de tudo, mas no momento não há mais nada que possamos fazer.”
Depois de ouvir o médico, caí em desespero.
Se até os médicos não tinham solução, isso queria dizer que minha avó não tinha mais salvação?
Não.
Impossível!
Agarrei a mão do médico. “Por favor, salve minha avó, ela não pode morrer, ela não pode!”
Tudo ficou enevoado diante dos meus olhos, não conseguia nem ver o rosto do médico.
Só conseguia ouvir sua voz resignada.
“Não temos o que fazer, mas sua avó ainda não está totalmente sem esperança. Existe um professor de medicina chamado Tomas Aguiar, Dr. Aguiar, que é referência nessa área e já tratou muitos pacientes. Se você conseguir trazê-lo, talvez haja uma chance.”
Eu já ouvira falar dele.
Extremamente famoso no meio médico, quase uma lenda.
Dizem que se tornou professor com pouco mais de trinta anos e formou inúmeros discípulos.
Seus alunos estão espalhados por todo o país.
Além de ser brilhante, também cobra caro, e é muito difícil conseguir uma consulta com ele.
Para mim, ele era como uma montanha impossível de escalar, um pico inalcançável. Eu nem sequer tinha seu contato.
Olhei para Nelson, aflita.
Tinha medo de ouvir más notícias.
Nelson não fez suspense. “Meu pai disse que vai tentar e que há 70% de chance de conseguirmos! Em até duas horas, ele vai nos dar uma resposta. Fica tranquila, é só esperar.”
“Obrigada!”
Quis me curvar para ele, mas ele me impediu.
Seus olhos gentis sorriram.
“Nem pense nisso, somos quase da mesma idade. Se você se curva para mim, vai acabar me dando azar, né?”
“Desculpa...”
Endireitei-me imediatamente. Naquele momento, ele era meu salvador, como poderia desejar algo ruim para ele?
Nelson tirou um lenço do bolso, parecia que iria enxugar minhas lágrimas, mas no fim apenas colocou o lenço na palma da minha mão.

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