Gregorio estava concentrado no telefone e não percebeu que eu o seguia. Observei enquanto ele entrava no quarto onde Lidia estava internada.
“Gregorio, obrigada pelo esforço, todo o trabalho ficou atrasado por minha causa...”
A voz de Lidia era suave, carregada de culpa.
“Não foi nada.”
A resposta de Gregorio veio indiferente, contida.
A voz de Lidia se tornou mais fraca. “Será que estou muito mal? Ouvi dizer que você até chamou o Dr. Aguiar. Sempre que ele entra em ação, é porque o caso é grave...”
“Não pense bobagem. Só que, para o seu caso, ele tem mais experiência.”
Eu estava parada na porta, observando os dois.
Ele se sentava ao lado da cama, as costas retas e largas. Mesmo sem ver o seu rosto, era possível sentir pela voz que estava preocupado.
Lidia parecia exausta. Depois de algumas palavras, adormeceu.
Antes de Gregorio sair, eu já havia deixado o local.
No corredor, na esquina, o esperei e o abordei.
Ele lançou um olhar indiferente para mim. “O que foi?”
Diante do seu rosto impassível, hesitei, sem saber se deveria pedir ajuda com o Dr. Aguiar, incerta se ele aceitaria.
A esperança parecia distante.
Mas eu precisava tentar.
“Preciso falar com o Dr. Aguiar. Mas ele prometeu cuidar da Lidia e não quer me atender...”
“Quer que eu te ajude?”
A voz dele era calma.
Meu coração ficou ainda mais apertado. Respirei fundo. “Pode ser?”
Seus olhos escuros me encararam, uma emoção indefinida relampejou por trás do olhar.
“Você está... me implorando?”
Implorar.
Quando ele pronunciava essa palavra, sempre havia um tom de ironia difícil de explicar.
Mas eu já estava numa situação sem saída.
Se fosse preciso implorar, que assim fosse.
“Sim.”
Ele deu um passo à frente, os traços do rosto frios e inexpressivos.
Havia um abismo profundo, impossível de atravessar.
“Eu...” Não queria mostrar fraqueza, nem dar a impressão de que estava encenando, mas não tive escolha a não ser implorar.
Orgulho? Isso já não tinha importância.
“Você só precisa ligar para ele, pedir para me encontrar uma vez, só isso. O resto eu resolvo. E prometo não te incomodar mais, Gregorio. Só essa vez, por favor.”
Suplicava desesperadamente.
Ele me encarou, imóvel.
Por um instante, percebi um traço de emoção nos olhos dele.
Agarrei-me a essa esperança como a uma tábua de salvação.
Mas, no segundo seguinte, ela se despedaçou.
“Foi você quem disse para eu não me meter nos seus assuntos. Mudar de ideia assim não pega bem, né?”
Ele esboçou um sorriso irônico.
Afastou minha mão, dedo por dedo.
“Ontem mesmo você deu um show de independência, não ouso mais me meter nos seus assuntos. Boa sorte.”

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