O cartão preto acabou realmente chamando a atenção do gerente dali, que veio pessoalmente nos atender. Ele foi muito caloroso e embrulhou as roupas com todo cuidado, afinal, as peças que a vovó queria eram realmente caríssimas.
Eu não a impedi.
Porque sabia que vovó queria recuperar sua dignidade.
Se eu tentasse impedir, ela provavelmente não conseguiria engolir esse desaforo.
Enquanto o gerente mantinha aquele entusiasmo todo, segurei o braço da vovó. Pelo canto do olho, vi aquela funcionária: desde que o gerente apareceu, ela ficou parada ali perto.
Parecia uma estátua de pedra, imóvel.
Nesse momento, vovó parou de repente.
“Essa funcionária me desrespeitou agora há pouco.”
Assim que ela disse isso, o rosto do gerente mudou na hora, mas ele manteve o sorriso e respondeu: “Pode ficar tranquila, vamos lidar com o caso com todo rigor.”
Eu e vovó saímos da loja ouvindo as palavras do gerente.
“Você está demitida.”
“Gerente, não, por favor, me dê outra chance, eu não fiz por mal, eu realmente não sabia que essa senhora era tão...”
“Tirem ela daqui.”
O gerente claramente não era do tipo que se deixava comover com meia dúzia de palavras.
No fim, a funcionária foi mesmo levada para fora pelos seguranças.
Levei vovó até o carro. Quanto às roupas caras que ela comprou, não aceitei nenhuma para mim.
“Leve com você, dê para os jovens da sua família usarem.”
Vovó suspirou, um pouco sentida. “Qual é o seu nome?”
“Meu nome é Cristina.”
“Certo, vou me lembrar. Agora vá, troque de roupa logo. Ah! Deixe seu número para mim. Amanhã minha família vai vir, quero que eles te convidem para um almoço. Se não aceitar os presentes, ao menos aceite o convite. Do contrário, vou ficar brava, viu?”
A senhora, com aquele jeito doce, só fingiu fazer cara de brava, mas não assustava ninguém.
Tive que ceder e trocamos nossos contatos.
Depois, fui reservar um novo hotel, arrumei minhas coisas e as levei para lá. Em seguida, fui ao hospital buscar Dona Silva e os outros.
Fui eu quem cuidou da papelada para a alta.
Gregorio estava com o carro. Lidia, ainda indisposta, foi no banco de trás, acompanhada de Dona Silva, enquanto eu sentei ao lado do motorista.
Olhei para o Gregorio, ali no volante, e hesitei.
“Acho melhor eu pegar um táxi.”
“Que nada, por que táxi? Vamos todos juntos.”

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