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Mentira Nua romance Capítulo 86

O diretor era uma pessoa muito amável, aparentando ter pouco mais de quarenta anos. Ao ouvir o que eu disse, respondeu com uma calma admirável.

"Acabei de terminar uma pesquisa e, como estou sem pacientes, decidi cuidar pessoalmente da sua avó. Pode ficar tranquila, vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para ajudá-la a se recuperar."

Embora achasse a justificativa um pouco forçada, era impossível não ficar feliz por conseguir um médico melhor para minha avó.

Isso significava que ela poderia se recuperar mais rápido.

Assim, comecei a correr de um lado para o outro. Avisei com antecedência na empresa que precisaria de licença, mas a Sra. Camila não fez qualquer pergunta.

Pelo contrário, ainda me orientou a cuidar bem da minha avó.

"Sra. Camila, muito obrigada…"

"Se quiser agradecer, não agradeça a mim, agradeça ao Diretor Marques. Foi ele quem conversou com o Diretor Sequeira, porque, de início, o Diretor Sequeira não queria aprovar sua licença."

Eu conseguia entender a recusa. Afinal, o projeto pelo qual eu era responsável estava em sua fase mais crítica. Tirar licença significava passar o projeto para outra pessoa, e ninguém conhecia tão bem o andamento quanto eu.

O Diretor Sequeira, sendo o chefe da empresa, tinha mesmo que pensar nos interesses do negócio.

No entanto…

Gregorio teria intercedido por mim?

A dúvida durou apenas um instante; logo compreendi o motivo de suas ações.

Afinal, sua amada ainda estava no hospital.

Comecei, então, minha rotina de idas e vindas no hospital. Lidia despertou cedo; a primeira coisa que fez ao acordar foi pedir desculpas.

"A culpa foi toda minha, sou tão distraída que esqueci de seguir as orientações dos médicos…"

Ela abaixou a cabeça, o rosto tão pálido quanto uma folha de papel.

Uma cena de dar dó.

Como alguém poderia recusar um pedido de desculpas assim?

Gregorio, claro, não teve coragem de repreendê-la, e ficou ali, sussurrando palavras de consolo.

Achei melhor sair discretamente do quarto.

No quarto da minha avó, fui surpreendida ao vê-la acordada.

"Cristina, eu sei que, ao longo desses anos, você guarda alguém no coração. Eu não sei quem ele é, mas para minha neta pensar tanto assim em alguém, com certeza deve ser uma boa pessoa."

Olhei para minha avó, surpresa.

Senti meus olhos se encherem de lágrimas, involuntariamente.

Achei que tinha escondido bem meus sentimentos, que ninguém jamais perceberia.

Minha avó suspirou: "Mas preciso te dizer uma coisa. O que precisa ser deixado para trás, deve ser esquecido. A vida é curta demais para guardar tudo na memória. Já estou velha, talvez vá embora a qualquer momento, e não ficaria tranquila em te deixar sozinha, só com sua mãe."

Essas palavras me deixaram profundamente abalada.

"Vovó, não diga isso. Você vai viver muitos anos, vai estar sempre ao meu lado."

Ela sorriu, resignada. "Se você realmente quer que eu viva muito, então faça o que eu digo: dê uma chance ao Nelson."

Fiquei atônita, sem saber o que dizer.

Então era para isso que minha avó estava me levando, tentando me aproximar de Nelson o tempo todo.

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