Passamos um bom tempo conversando e então, uma enfermeira apareceu, o dando uma medicação de horário. Assim que ele adormeceu, me despedi e voltei para a empresa.
Chamei um táxi e enquanto fazíamos o caminho de volta, minha mente não parava quieta tentando juntar as peças.
As palavras do professor ecoavam, junto com a promessa: “Vou colocá-los frente a frente.”
E aquilo fez com que meu interior se aquecesse de ansiedade.
Não demorou muito, cheguei à empresa.
Meu coração estava acelerado, mas por fora eu tentava ser a profissional calculista e dedicada que todos conheciam.
Passei pela recepção, cumprimentei rápido minhas colegas e entrei no corredor indo para o elevador.
Assim que as portas se abriram no andar presidencial, David estava na porta como se me aguardasse.
— Ellie, precisamos conversar. – A forma como ele falou, fez com que meu corpo congelasse.
Será que ele sabia de algo?
Ele estava sério, com a gravata um pouco afrouxada e a pasta de couro presa sob o braço. O olhar era o de sempre; firme, objetivo, mas agora carregava algo que eu não sabia distinguir se era tensão ou desconfiança.
— Claro — respondi, tentando soar neutra.
Ele me acompanhou até minha sala e fechou a porta com calma.
Nesse instante, senti meu corpo congelar e meu coração errar as batidas dentro do peito. Era nítido o suor na minha pele, causado pela tensão.
E então, a voz dele saiu fraca e cautelosa, como se quisesse me pregar uma peça.
— Temos uma reunião marcada para amanhã cedo, mas achei melhor alinharmos antes. Um cliente novo entrou em contato: é uma vinícola tradicional do interior. — Ele puxou alguns papéis da pasta e os espalhou sobre minha mesa.
Fiz esforço para me concentrar nos documentos e não no homem diante de mim.
— Uma vinícola? Então era isso? – Perguntei soltando um respiro fundo que mais saiu como um riso.
— Sim. O que esperava? – Perguntou ele, me olhando como se me analisasse.
—Ah, pela sua cara, parecia que eu coloquei fogo no seu cofre de documentos. – Resmunguei engolindo seco.
— Vamos ao que interessa, antes que eu me perca. – Disse ele, tocando nos papéis. — A família que administra a vinícola, está expandindo a produção e quer reformular toda a gestão financeira. Precisam de cálculos de custos, projeções de safra, distribuição e, principalmente, um controle mais rígido da margem de lucro.
Ele falava com naturalidade, mas havia um brilho em seus olhos. Era um contrato grande, eu sabia disso só pela forma em que ele falava.
Assenti, passando os olhos pelos relatórios iniciais.
— Interessante. Não é comum recebermos vinícolas, mas os números são consistentes. Se acertarmos, pode abrir portas para o setor alimentício e de bebidas.

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