Olho para o relógio na parede: treze e cinquenta e cinco.
— Droga, eu preciso correr - falo, largando o que sobrou na mesa e pegando a pasta principal que já estava separada, não por medo e sim porque sou uma profissional exemplar e essa imagem que eu quero que o tal senhor Ferraro, meu chefe arrogante ,durão e pelo o episódio do elevador muito mal educado tenha de mim .
Caminho em direção ao elevador executivo, sentindo uma mistura de ansiedade e irritação. Se esse tal senhor Ferraro for o mesmo homem sem educação que fechou a porta na minha cara mais cedo, essa reunião vai ser bem difícil.
Subo até o último andar, onde fica a diretoria. Assim que coloco os pés na recepção, a secretária da presidência sorri amarelo, claramente tensa, e disca um número no telefone.
— Senhor Ferraro? A senhorita Kayla Garcia, das Relações Públicas, já chegou.
Uma voz grave, forte e totalmente autoritária ecoa pelo viva-voz da mesa:
— Mande entrar.
Engulo em seco, ajeito a postura e empurro a porta de madeira maciça.
O escritório é imenso, com paredes de vidro que mostram a cidade inteira. O homem está sentado atrás de uma mesa de vidro escuro. Quando dou os primeiros passos e ele ergue a cabeça para me receber, meu corpo inteiro trava.
O choque me atinge com força. Não porque eu já o tenha visto antes, mas pela beleza surreal dele e por uma sensação esquisita que me gela a espinha. Inexplicavelmente, ele me lembra alguém. Uma lembrança borrada que não consigo puxar da memória de jeito nenhum.
Ele me encara com uma expressão fechada e, percebendo que fiquei estática, fala com a voz carregada de irritação:
— Vai ficar aí parada o dia todo me olhando ou vai me mostrar os relatórios que mandei trazer?
Prendo a respiração, sentindo o rosto queimar de vergonha.
— Me desculpe, senhor — peço, me aproximando da mesa a passos rápidos para lhe entregar a pasta.
Quando ele estica o braço para pegar os papéis, nossos dedos se tocam de leve. No mesmo segundo, é como se uma descarga elétrica percorresse o meu corpo. Um arrepio violento sobe pela minha espinha, e meu coração dá um salto no peito. Fico zonza, sem saber explicar como um completo desconhecido tem o poder de me provocar algo que nenhum homem conseguiu na vida, quer dizer apenas um ,mas desse eu não me lembro se quer o rosto.


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