Augusto virou o copo de uma só vez, seus olhos vermelhos fixos em Enzo, perguntando praticamente entre dentes:
— Dias atrás, você foi para Serra Verde?
Enzo sustentou o olhar dele, sem desviar, e respondeu com franqueza:
— Fui.
— Você estava com a Filipa Soares?
Enzo respondeu de forma seca:
— Sim.
Ao lado, Jorge ouvia estupefato.
Enzo e Filipa viajaram juntos? O que estava acontecendo?
As veias na testa de Augusto saltaram, e sua voz tremeu.
— Você dormiu com ela?!
O olhar de Enzo esfriou subitamente, e sua voz tornou-se cortante como gelo.
— Augusto, o que acontece entre mim e ela precisa ser reportado a você?
Aquela atitude evasiva soou para Augusto como uma confissão.
— Enzo, seu desgraçado!
A fúria reprimida por dias rompeu a represa. Augusto levantou-se num ímpeto e desferiu um soco no rosto de Enzo!
Enzo, pego de surpresa, foi atingido com força na bochecha.
Ele limpou o canto da boca, a hostilidade explodindo em seus olhos, e revidou, agarrando Augusto pelo colarinho e devolvendo o golpe.
— Agora você aprendeu a fingir que se importa? Onde você estava quando ela mais precisou? Quando você a deixou despedaçada, pensou que esse dia chegaria?
— Ela é minha mulher!
Augusto, com os olhos injetados de ódio, lutava para atacar novamente.
— Mulher? Você merece chamá-la assim?! — Enzo não recuava um milímetro.
Vendo que os dois iam se atracar de vez, Jorge correu para separá-los.
— Chega! Parem com isso agora!
Na confusão, os punhos de Enzo e Augusto erraram o alvo e acertaram em cheio o rosto de Jorge.
— Ai!
No fim, Jorge, com o rosto inchado, sentou-se no meio, olhando para os dois homens ainda fumegantes de raiva, com vontade de chorar.
Eles brigam… e por que quem se machuca sou eu?
Um sorriso de escárnio surgiu em seus lábios.
— Mas ele nunca acreditou nela.
Ele se aproximara de Filipa sob o pretexto de trabalho por tanto tempo, e ela sempre mantivera uma distância respeitosa.
Era justamente por causa dessa barreira que ele nunca tivera coragem de dar o próximo passo.
Enzo apagou o cigarro, levantou-se e também deixou a sala privada.
Deixou Jorge sozinho, jogado no sofá, com uma dor de cabeça terrível.
A intenção era ser o pacificador.
Mas, em vez de acalmar os ânimos, eles saíram na mão e a situação ficou ainda pior.
Pelo visto, a guerra comercial continuaria.
Ele não podia ficar assistindo o Grupo Basileu e o Grupo Aeternum se destruírem mutuamente.
Para desatar o nó, é preciso quem o atou. Já que a tempestade começou por causa de Filipa, talvez só ela pudesse acalmar a situação.
Mas ele não tinha intimidade com Filipa, nem sequer o contato dela.
Jorge saiu da sala, impotente, matutando sobre o que fazer.
Seu olhar vagou casualmente pelo corredor e viu uma figura familiar passar rapidamente ao fundo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Meu Divórcio é uma Declaração de Guerra
Espero que ela conte sobre o irmão dele kkkk quero ver a cara de babaca dele kkk...
Até o momento gostando...mas, podia ser nãos curto....