Cap. 3
No silêncio gelado que se seguiu à sua ameaça, algo dentro de mim estilhaçou. Não foi meu coração, ele já estava em pedaços. Foi uma barreira que eu nem sabia existir.
Um calor começou a crescer no meu centro, uma faísca que rapidamente se tornou um incêndio.
Não era agradável; era avassalador, como ser engolida por um sol.
Era um chamado. Primordial, inegável, escavando cada fibra do meu ser com uma única verdade gravada no osso, Ele.
Minha cabeça girou, tonta, enquanto um cheiro invadia meus sentidos, âmbar escuro, fumaça de carvalho queimado e o frio metálico da geada antes do amanhecer.
Era um cheiro que meu corpo reconhecia antes da minha mente poder nomear.
Meus pés se moveram sozinhos. Ergui-me da terra, como uma marionete cujos fios estavam nas mãos dele. Meus olhos, traidores, encontraram os seus.
O mundo desabou.
Não havia mais floresta, cavalos, flechas. Só aquele olhar âmbar, escuro como mel envelhecido, perfurando-me.
Meu coração não disparou de medo. Disparou de casa. Foi um sentimento de completude tão brutal e súbito que as lágrimas que já estavam em meus olhos secaram de puro choque.
— Não… — o sussurro rasgou meus lábios, um último suspiro de lógica antes que o instinto tomasse o controle. — Não pode ser…
Ele estava encarando-me como se eu fosse uma ilusão perigosa. Sua máscara de líder implacável rachou, revelando por uma fração de segundo um abismo de choque puro, seguido por uma onda de fúria tão intensa que pude senti-la no ar, um gosto amargo de metal.
A confusão era a peça mais aterrorizadora de todas. Ele também sentia. E odiava por sentir.
O calor dentro de mim tornou-se uma necessidade física, uma gravidade puxando-me para seu epicentro.
— Parceiro… casa... — A palavra não foi dita, foi expelida de mim, um gemido rouco de alma que se dobrou, levando meus joelhos de volta ao chão. Desta vez, não em submissão, mas em rendição a uma força maior que hierarquia.
O silêncio ao nosso redor era de puro terror. As flechas tremiam nas cordas dos arcos. Os soldados trocaram olhares de pânico. Um murmúrio cortante como faca passou pela fileira.
— Uma ômega? Ela o chamou de mate? O Alfa já tem uma Luna…como aconteceu um...
— Ele baixou a flecha. Por que ele baixou a flecha?
Meu pai, ainda montado, parecia ter sido esculpido em granito. Seu rosto era uma paisagem de horror absoluto.
Não de surpresa, mas de um reconhecimento agonizante. Como se um pesadelo que ele rezava para nunca se realizar estivesse desabando sobre nós, mas de uma forma ainda menos inesperada, eu pedia socorro.
O olhar do Alfa Kaelon arrancou-se de mim e cravou-se nele, frio o suficiente para congelar o sangue nas veias.
— Beta Aron — sua voz era uma lâmina serena, prometendo carnificina. — Controle sua cria. Ou eu a reduzirei a pó.
Meu pai desceu do cavalo, movimentos lentos e pesados, como se lutasse contra a própria gravidade. Seus olhos, vidrados em mim, eram de um desespero mudo.
Ele sabia. Sabia o que aquela conexão significava e, pior, sabia o que seu Alfa faria com ela.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Meu escolhido é meu sogro