Cap. 5
— Agora você quer dar ordens? — Kaelon cortou o ar com a pergunta, sua voz encheu. — Se interessou pela ômega só depois de ajudá-la a cavar a própria cova?
— Eu não posso deixar que o senhor destrua sua vida por causa disso — Fael insistiu, a voz mais firme agora.
— Eu? Destruir minha vida? — Kaelon soltou uma risada curta e áspera. — Você inverteu as coisas, filho.
— Pai, pense. A matilha está estável, nosso exército é forte, mas tudo isso se sustenta em alianças. O Beta Aron é a mais importante delas. Ele é o único que consegue lutar ao seu lado, ombro a ombro. Você vai trair a lealdade de uma vida por causa de sua única filha? Existe outra solução. Menos radical.
Kaelon ficou em silêncio por um momento, seu olhar perdendo um pouco do foco. Ele relaxou alguns centímetros na poltrona, como se, pela primeira vez, avaliasse o peso das palavras do filho.
— Você ultrapassou todos os limites — disse Fael, aproveitando a abertura. — Ela é apenas uma jovem. Matar a Lirah por um vínculo que ela não controlou?
Kaelon se virou lentamente. Seus olhos, habitualmente gelados, estavam escuros e opacos. A expressão em seu rosto era a de um homem confrontado com uma verdade feia.
— Exagerei? — perguntou, a voz perigosamente baixa. — Ou será você quem está exagerando? Espere… — seus olhos se estreitaram. — Você era mesmo o namorado secreto dela, não era? O tempo todo. E você a deixou sofrer aquela humilhação pública. Deixou o próprio pai dela, meu Beta, ter que se expor daquela maneira para salvá-la. Que tipo de homem faz isso? E está tentando me dá lição? Quer mesmo conversar de homem para homem?
Fael ficou em silêncio, a mandíbula tesa. Quando falou, sua voz saiu rouca.
— Eu não era seu namorado. Mas queria ter sido. Comecei a desejá-la desde o primeiro dia. É como se ela sempre devesse ter sido minha. Na hora, na frente de todos… eu travei. Só deixei acontecer. Mas agora eu a quero, pai. Se esse é o problema, deixe que eu a marque. Eu a torno minha. O vínculo com o senhor se romperá. O problema acaba.
A reação de Kaelon foi instantânea e violenta.
— NÃO!
O grito ecoou na sala, fazendo os objetos sobre a mesa tremerem. Fael recuou, surpreso com a fúria explosiva.
Kaelon respirou fundo, tentando recuperar o controle. Passou a mão pelo rosto, desviando o olhar. Ele tinha reagido por instinto, e isso claramente o perturbou.
— Não pode haver troca de Luna — disse, forçando a voz a voltar à frieza. — Você já apresentou sua companheira à matilha. Rejeitá-la agora seria um sinal de fraqueza, de indecisão. Você precisa da confiança deles, Fael. Eles não seguirão um futuro Alfa que troca de parceira como quem troca de tática.
Fael riu, um som seco e descrente.
— Isso não é sobre a confiança da matilha. É sobre controle. O senhor prefere vê-la morta do que comigo. Porque ela despertou algo no senhor, algo que o senhor não pode admitir. É egoísmo puro. E ela não tem culpa de nada.

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