Assim que Paula ia falar, Mário começou a caminhar na direção delas.
— Meus parabéns, Franciele. Não sabia que você era tão capaz.
O tom de sua voz carregava um sarcasmo e uma inveja inegáveis.
Franciele ficou sem entender:
— O que quer dizer? Sr. Andrade, seja mais claro, por favor!
Mário bufou friamente:
— Ainda se faz de desentendida? O RH acabou de emitir uma ordem te transferindo para a sala da presidência como assistente pessoal do presidente.
Um flash de surpresa cruzou os olhos de Franciele:
— O quê?
O grande chefe estava falando sério?
Ontem mesmo ele disse que a promoveria a assistente, e hoje o RH já tinha formalizado a transferência.
Agora o departamento todo, quiçá a empresa inteira, já sabia de tudo.
— As pessoas penam anos para subir um ou dois cargos... — O tom de Mário era amargo. — Mas você subiu rápido demais e foi parar direto ao lado do chefe. Vai saber que tipo de truque você usou.
Suas palavras afiadas e maldosas fizeram Franciele franzir a testa.
O Sr. Andrade falava como se ela nunca tivesse se dedicado.
Mal sabia ele que ela era a pessoa mais trabalhadora de todo o departamento.
Normalmente, o Sr. Andrade empurrava quase metade de todo o trabalho para que ela fizesse sozinha.
Sem contar as inúmeras horas extras e a falta de descanso até nos feriados.
— Tudo isso graças ao cuidado que o Sr. Andrade teve comigo, não é? Se o senhor não tivesse me dado uma "atenção especial", o chefe talvez nem tivesse me notado! Agora que fui promovida a assistente direta do presidente, com certeza não esquecerei os "favores" que o Sr. Andrade me fez nestes últimos dois anos — respondeu Franciele, com um tom cheio de duplo sentido.
O rosto de Mário empalideceu e esverdeou de raiva:
— Você!
Se no passado Franciele ousasse falar com ele daquele jeito, ele já estaria apontando o dedo na cara dela e gritando insultos.
Mas agora, ele apenas a encarou por um longo tempo, sem conseguir proferir sequer um xingamento.
Franciele agora era a escolha pessoal do grande chefe. Dar uma lição nela não seria o mesmo que dar um tapa na cara do presidente?
Nelson estava de cabeça baixa, lendo documentos, sem sequer olhar para cima.
— Franciele, você chegou atrasada hoje!
Sua voz soou grave, com um toque de severidade.
— Eu... — Franciele tentou encontrar uma desculpa para se explicar.
Nelson a interrompeu sem qualquer pena:
— Você perdeu o bônus de assiduidade deste mês.
Franciele ficou muda.
Ela se atrasara apenas um dia e o bônus de assiduidade do mês inteiro já era?
Ele era praticamente mais cruel do que Mário!
Mas antes que pudesse questionar, ela ouviu Nelson dar uma nova ordem:
— Sua tarefa principal hoje é limpar perfeitamente a minha sala de descanso!

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