Uma angústia amarga invadiu o peito de Franciele e, de imediato, o desconforto emocional refletiu em seu corpo, disparando o velho mal-estar.
Para evitar que seu corpo entrasse em colapso novamente com aquele mal-estar, ela pulou da cama e engoliu sua medicação.
Depois de esperar o remédio fazer efeito e regular seu organismo, ela tomou um banho rápido. Quando finalmente saiu para o trabalho, já estava atrasada.
Ela entrou feito um furacão no elevador e, ao erguer a cabeça, paralisou ao dar de cara com Nelson.
Só então percebeu, tarde demais, que havia entrado no elevador privativo da presidência.
— Bom dia, Sr. Sampaio!
Ela engoliu a seco, reuniu sua dignidade e o cumprimentou.
As portas metálicas se fecharam com um baque surdo.
No espaço confinado, restavam apenas os dois. O silêncio pesou, criando uma atmosfera constrangedora.
Franciele não teve coragem de lançar sequer um olhar furtivo na direção dele.
Manteve o rosto erguido, com os olhos vidrados nos números dos andares que piscavam no painel.
Ela rezava fervorosamente para que o tempo passasse mais rápido.
Havia acabado de tomar seu remédio matinal para conter aquele problema físico do seu corpo.
E logo de manhã, o universo a castigava colocando-a no mesmo espaço minúsculo que o seu chefe incrivelmente alto e sedutor.
Meu Deus, precisava mesmo colocá-la nessa situação?
Ela permaneceu estática como uma estátua, concentrando toda a sua energia na contagem regressiva para as portas se abrirem, pronta para fugir em disparada.
Tentava desesperadamente esvaziar a mente e não pensar em bobagens.
O pavor de sofrer outra crise sensorial na frente de Nelson a consumia. Seria o auge da humilhação!
Mas, por algum motivo, ela sentia um formigamento na nuca, como se um par de olhos estivesse fixo em suas costas...
Seria apenas paranoia da sua cabeça?
Não havia mais ninguém ali atrás, a não ser o presidente.
Será que Nelson estava mesmo a observando?
O coração de Franciele começou a errar as batidas, e o pânico se instalou.
Seu corpo inteiro foi tomado por uma inquietação absurda.
E o pior de tudo foi quando o aroma amadeirado e sutil de tabaco que emanava dele invadiu suas narinas.
Um arrepio violento percorreu a sua espinha.
Seu coração martelava contra as costelas.
Ela não tinha escolha; afinal, seu escritório ficava a poucos metros da sala da presidência.
Para chegar à sua mesa, precisava obrigatoriamente fazer o mesmo caminho que ele.
De repente, Nelson estancou no meio do corredor.
Franciele quase deu de cara nas costas largas dele.
Felizmente, seus reflexos foram rápidos e ela freou a tempo.
— Prepare um café e leve na minha sala.
Com uma voz grave, Nelson deu a ordem e desapareceu para dentro do escritório.
Franciele ficou no corredor, piscando, confusa.
Fazer café não estava exatamente nas atribuições de uma assistente executiva daquele nível, não é?
Mas, se o grande chefe mandou, a única coisa que ela podia fazer era obedecer.
Enquanto preparava a bebida na copa, seu celular vibrou com a notificação de uma mensagem.
Franciele olhou para a tela.
Era um link de fofoca enviado por Paula.

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